O Mundial de MotoGP já terminou há quase três semanas, com o título a ser entregue a Pecco Bagnaia, mas na memória de todos está a forma "estranha" como Jorge Martín deitou tudo a perder na penúltima prova, no Qatar. Foi 10.º na corrida, hipotecou ali praticamente todas as chances e, depois da corrida, deixou duras críticas à Michelin, por alegadamente ter cometido um erro com o seu pneu. Vários dias depois, a marca francesa toma a sua primeira posição pública e com reparos à forma como o espanhol se exibiu nesse dia em Losail.
"Fizemos análises e verificámos os processos: não houve anomalias. Queremos campeões felizes, nada de conspirações. Uma temporada tranquila terminou de forma agitada. Creio que muitos fatores acabaram por contribuir: o stress da luta pelo título, o mercado de piltoos, as regras da pressão dos pneus, a introdução das corridas Sprint. E, depois, no Qatar a atuação do Martin não esteve à altura das expectativas, gerou muita controvérsia e discussões", declarou Piero Taramasso, responsável da marca francesa pelo trabalho no MotoGP, em entrevista à 'La Gazzetta dello Sport'.
Na mesma conversa, Taramasso explica que tudo foi analisado quanto aos pneus de Martin, desde o próprio pneu até à máquina onde foi feito, e a garantia foi clara. "Não houve problemas de fabrico nem de qualidade. Um pneu que não funciona, não funciona logo na volta de aquecimento e na primeira volta já te faz ir um segundo mais lento. Na quarta e sétima [voltas], o Jorge tem o mesmo tempo que o Bagnaia. Cometeu um erro na saída, mas recupera três ou quatro posições. Se o pneu não funciona, não consegues fazê-lo. O resto são fatores de corrida, que fizeram com que deteriora-se o pneu traseiro e depois o traseiro, o que depois o fez rodar um segundo mais lento".
O argumento da Michelin rapidamente chegou a Espanha e levou a uma forte reação por parte da Prima Pramac, atrás do team manager Gino Borsoi. "Não quero comentar coisas que não sabemos, mas o Martin no dia anterior ganhou uma corrida. Teria de analisar melhor, mas tirando quedas, o pior resultado foi um quinto lugar na Austrália. Falando do Qatar, foi uma corrida estranha, muito longe do nível de potencial do Jorge. Fizemos uma análise na Pramac e na Ducati e percebemos que não houve qualquer erro ou problema do ponte de vista da condução ou da afinação da moto. Quando Taramasso diz que as prestações do Jorge não foram ao nível especial, quero acreditar que ele não está a apontar diretamente o dedo ao Jorge, porque é inteligente e não vai dizer que o Jorge não fez bem o seu trabalho", atirou ao 'AS' o chefe da Pramac, que ainda espera a comunicação oficial da Michelin.
Para fechar, Borsoi volta a visar a equipa francesa e o seu diretor. "O Martín não desaprendeu, de um dia para o outro, a pilotar por pressão. Quando um piloto como ele termina em 10.º é porque algo aconteceu. O Taramasso, insisto, é muito inteligente e sabe que este resultado não é fruto de uma má prestação. Não pode ganhar a corrida de sábado e fazer 10.º no dia seguinte com a mesma afinação. É impossível".