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A nossa reportagem escutou os três primeiros classificados do Rali de Portugal e ainda Sébastien Ogier, pois perdeu a vitória na penúltima classificativa, com um furo em Vieira do Minho. Thierry Neuville, navegado por Martijn Wydaeghe, acabou por subir ao 1.º lugar e confirmou a conquista da prova, pela segunda vez na carreira (após 2018), na power stage de Fafe.
Thierry Neuville, Hyundai (vencedor):
"Dois minutos antes de terminar, tudo podia acontecer. Isso aumentou a pressão ainda mais para o nosso lado, na penúltima classificativa, quando o Ogier teve problemas. Conseguimos manter a liderança e garantir a vitória. Senti muito stress, até porque tivemos de lidar com as condições climatéricas também. No final, os deuses do clima e os deuses do Rali estiveram do nosso lado.
A vitória é muito importante, não apenas pela vitória em si, mas também por vermos que mantivemos a velocidade durante todo o fim de semana. Às vezes, faltou-nos um pouco, mas o desempenho esteve sempre lá, sempre rápido, sem erros, a puxar pelo carro quando necessário. É um aumento de motivação e energia para a equipa. Temos muitas pessoas cansadas, a trabalhar no duro, e espero que isto seja um pouco de luz no fundo do túnel para alguma desta gente."
Oliver Solberg, Toyota (2.º lugar):
"É muito bom voltar a um pódio, após dois ralis difíceis. Estivemos com boa velocidade, mesmo que não estando a 100% de sensações. Mas é bom o 2º lugar final. Quando tudo é perfeito e funciona tudo bem, ganhas ralis, mas às vezes não tens ralis tão bons e tens de tirar o melhor que podes.
Este rali foi difícil de gerir mentalmente, foi duro mentalmente. O que devo fazer? Caí na classificação porque estava a liderar na 5ª feira? Arrisco? Não arrisco? Sensações boas, sensações não tão boas, depois um furo, perdi de novo a liderança. Pensava: porquê eu? Na noite passada foi difícil, não estava nada feliz, mas hoje senti-me bem e com energia e pensei que tudo é possível. Fiz um tempo na especial longa, consegui o pódio, também tive um furo naquela especial de manhã. É a vida…"
Elfyn Evans, Toyota (3.º lugar):
"Tens de ser rápido em todo o lado se queres ser campeão, sabemos isso, mas este fim de semana sinto que não conseguir tirar o máximo potencial do carro. Não foi mau, mas podia ter sido melhor. Com o que aconteceu, acabamos satisfeitos, é o que conta. Houve momentos em que mostrámos mais do que no ano passado, porque ano passado não estávamos aqui no final, há esse lado positivo. Mas não foi um fim de semana tão fluido como gostaria."
Sébastien Ogier, Toyota (6.º lugar):
"É desporto automóvel e às vezes apanha-te desta forma. Não há muito que pudéssemos fazer de diferente. Podemos manter a cabeça erguida e tentar apenas esquecer e ir ao Japão para vencer. Foi uma semana difícil, com condições difíceis, podemos estar satisfeitos com o trabalho feito, mas sem a recompensa desta vez. O furo foi numa secção degradada, já apanhámos piores até, mas apanhámos uma pedra na linha de trajetória, e numa parte estreita não há escapatória. 'Game over'.
Com o estado do tempo que tivemos foi muito desafiante, podemos estar satisfeitos porque mostrámos que tínhamos o que precisávamos para responder quando necessário e basicamente a velocidade necessária para vencer. A sorte não esteve connosco. E houve um par de sinais: na primeira especial, longa, a chuva apareceu e o nevoeiro também logo no início e apanhámos mais chuva que os outros. Tinha velocidade suficiente para controlar a vantagem, mas o furo foi demais.
[Conquista da Hyundai] Felizmente, honestamente, ou então seria um campeonato aborrecido. É bom ter luta com outras marcas e a nossa e desfrutar de cada competição. É bom ver que há mais gente capaz de lutar na frente na terra. [Mudança do rali para Viseu] Não sabia. Tenho as melhores memórias do Algarve, são melhores de conduzir, aqui são atmosferas únicas, mas se houver novas especiais será bom para o rali."
Por André Gonçalves