Rita Vieira: «O meu grande objetivo é o Dakar»

Portuguesa vice-campeã mundial de Bajas assume o seu sonho

• Foto: Facebook Rita Vieira

A nova vice-campeã mundial de Bajas, a portuguesa Rita Vieira (Yamaha), tem como grande objetivo na carreira participar no rali Dakar, apesar de estar consciente das "dificuldades logísticas".

Aos 25 anos, nascida em Vila Nova de Gaia, Rita Vieira apostou numa carreira profissional nas duas rodas, congelando a matrícula no curso de Design de Moda na Universidade da Beira Interior, na Covilhã.

Agora, tem pela frente alguns dos maiores desafios da sua carreira, que se distribui por várias modalidades em simultâneo.

Depois de começar no trial, tendo sido campeã nacional, passou pelo enduro, no qual também já somou títulos, e pelo todo-o-terreno, sagrando-se duas vezes campeã mundial de Bajas, em 2014 e 2015.

Este ano, contudo, falhou esse objetivo, ao ser terceira classificada na quarta e derradeira prova do campeonato, que terminou na Hungria, no passado dia 11 de agosto.

"Já sabia que ia ser complicado, pois falhei uma das provas, no Dubai, por dificuldades logísticas e de orçamento", explicou à agência Lusa a piloto de 25 anos.

Por isso, na Hungria, precisava de uma vitória, que escapou para a espanhola Rosa Romero, deixando o título a meros quatro pontos de distância nas mãos da indiana Aishwarya Pissay (Sherco), que venceu no Dubai.

"Ganhei em Portugal e fui segunda em Espanha, mas não chegou", lamentou Rita Vieira, que prepara agora a participação no Trial das Nações, em Itália, em setembro, com as cores da seleção nacional, antes dos Seis Dias Internacionais de Enduro, que, pela terceira vez, se realizam em Portugal (este ano em Portimão, em novembro).

Contudo, o grande objetivo da carreira continua a ser "participar no Dakar", assume.

"É um objetivo que tenho e a participação no Mundial de Bajas é uma preparação para isso", admite.

No entanto, ainda não será em 2020 que concretiza o sonho, apesar de a prova se mudar para a Arábia Saudita.

"Estou a tentar montar um projeto, mas não ainda para a próxima edição", revela a piloto da Raposeira Bubbles Racing Team.

O principal desafio é financeiro: "O meu grande objetivo é o Dakar, mas tenho de fazer grandes resultados antes para ser aceite. Mas só vou conseguir participar se garantir apoios para financiar todo o projeto, que inclui a preparação."

Apesar de ter deixado a universidade de parte, para já, admite que "é complicado" poder dedicar-se a tempo inteiro à carreira desportiva.

"As marcas e as equipas ainda não valorizam o que fazemos pelo desporto. Exige bastante tempo para treinar, ir às provas, preparar a mota, pois sou eu que trato de grande parte da mecânica", vincou Rita Vieira, que se apaixonou pelas duas rodas ao acompanhar o irmão, Diogo, também piloto, às provas. "E as marcas ainda não percebem o retorno que podem ter", acrescenta.

Em Portugal, o sucesso feminino acabou por ser prejudicial. "Nos últimos dois anos, o nível subiu muito, no enduro. Antes, éramos oito raparigas a competir, mas algumas desmotivaram-se com a diferença para as da frente e agora é complicado de haver muitas raparigas a competir. A solução seria fazer uma categoria B, menos exigente", sustenta, "à semelhança do que acontece na vertente masculina".

Por Lusa
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