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Para muitos o Dakar já não é o que era desde que se mudou de malas e bagagens para a América do Sul, em 2009. E para Ruben Faria, certamente, nunca mais será igual depois desta última edição.
O piloto natural de Olhão conquistou o 2.º lugar da classificação geral na mítica prova de todo-o-terreno e foi fundamental na estratégia da KTM e no título alcançado pelo seu chefe de equipa, o francês Cyril Despres, que igualou o compatriota Cyril Neveu no número de troféus conquistados na categoria de motos – cinco (2005, 2007, 2010, 2012 e 2013).
“É inimaginável a felicidade que sinto”, afirmou o motard algarvio no sábado após ter vencido a última etapa do Dakar’2013. Ruben Faria não foi o mais rápido na etapa que ligou La Serena a Santiago do Chile, mas beneficiou de uma penalização de 15 minutos imposta, por troca de motor, ao chileno Francisco Lopez, também da KTM, que terminou a competição subindo ao 3.º lugar do pódio.
Objetivo cumprido
Ruben Faria diz não podia estar mais satisfeito com a sua prestação. “Esta dupla vitória, a do Cyril e o meu 2.º lugar, é um sonho tornado realidade”, confessou ontem o piloto algarvio a Record. Antes de iniciar a viagem de regresso a Portugal, o que irá acontecer amanhã, Ruben Faria ainda quis deixar uma mensagem: “Foi muito bom! Há quatro anos que o meu objetivo é ajudar o Cyril a ficar o lugar mais alto do pódio. É o terceiro ano que o faz comigo”, afirmou o português ao nosso jornal, mostrando uma vez mais que primeiro está a estratégia da equipa, só depois ele.
“Treino-me todos os dias para apoiar o Cyril; depois em prova são 15 dias de trabalho em conjunto, não posso ter objetivos pessoais. No entanto, a meio da prova a equipa falou comigo e deu-me um pouco mais de liberdade.” contou o piloto de 38 anos.
Ensinamento
Cyril Despres conta com a ajuda incondicional do motard português desde 2010, e na consagração também ele deu mostras de apoiar Ruben Faria. “Ele ficou bastante feliz e esteve ansiosamente à minha espera para festejar. Também para ele este resultado é valorizador. O que me ensinou não foi em vão”, relatou o melhor português de sempre noprestigiado rali do Dakar.
A três dias do fim da prova, Despres percebeu que o seu “aguadeiro” podia também ele fazer história. “Nessa altura disse-me: ‘Vamos tentar falar com a equipa para que os outros pilotos te deixem mais livres’”, revela RubenFaria, que não deixou fugir esta oportunidade... E na capital chilena a festa final também teve pronúncia portuguesa.