Hélder Rodrigues diz que pilotos portugueses lutam de forma desigual com os estrangeiros.
R – Como é que a sua família encara esta profissão?
HR – Excetuando o acidente [em 2007], nunca tive outras lesões graves e isso deu confiança, tanto a mim como à minha família. Agora, quando vou competir, acaba por ser uma situação normal.
R – Ser piloto implica muitos riscos. Quando se está em competição, existe essa perfeita noção ou a ânsia de ganhar fala mais alto e leva, por vezes, o piloto a arriscar em demasia?
HR – É preciso ter a noção do perigo, mas compete-nos também tentar minimizar esses perigos, treinando muito, melhorando a moto, trabalhando a parte da estabilidade, de forma a sermos rápidos mas cada vez com menor risco. Esse é um objetivo fundamental.
R – Também há momentos intensos como a receção de que foi alvo no aeroporto de Lisboa após sagrar-se campeão do Mundo. Sente-se uma pessoa importante nessas alturas?
HR – Acima de tudo, sinto-me muito feliz, porque as pessoas valorizam o meu trabalho e porque consigo os meus objetivos, ser honesto, trabalhar no máximo... É a concretização de todo o trabalho e esforço.
R – É mais difícil um português ser campeão do Mundo do que um espanhol ou um francês, por exemplo, países onde haverá mais apoios?
HR – Sem dúvida. A Honda tinha três lugares para preencher nesta equipa. Mas havia pressões de todo o Mundo, como é o caso do Brasil que tem enorme mercado, a fazer força para que se colocassem outros pilotos na equipa que não um português. Existe bastante pressão e o que conta é o dinheiro...
R – E como é que se consegue chegar a uma equipa oficial?
HR – Há três pilotos portugueses em equipas oficiais: eu, o Paulo [Gonçalves] e o Ruben [Faria]. E isso só se consegue sendo bom e andando na frente das corridas.
R – Têm poucos apoios?
HR – Temos os nossos apoios, mas é muito difícil chegar a uma equipa oficial. E, se estamos lá, é porque somos realmente muito bons. O mercado português é muito pequeno para que uma marca de motos tenha algum interesse em que nós estejamos na equipa.
R – Pode dizer-se que os pilotos portugueses têm de ser duas vezes melhores do que os estrangeiros...
HR – Duas vezes, não. Eu diria cem vezes. No caso da Honda, o mercado português vale 5 mil motos, o brasileiro vale 1 milhão e 200. Não há comparação possível. E isto acontece em todas as marcas, nos fatos, na peças...
R – Aos 33 anos, vê-se durante muito tempo a competir ao mais alto nível?
HR – Com segurança e condições para trabalhar, tenho muitos anos para competir a para estar no Dakar.
R – O seu discurso incide muito na segurança. Esse é um aspeto fundamental?
HR – É o mais importante de tudo. Vou disputar o Dakar pela sétima vez e conseguir terminar os seis que já fiz sem sofrer qualquer queda grave. É claro que as vitórias são importantes, mas a segurança dos pilotos é fundamental.