Paulo Gonçalves: «Faltou uma pontinha de sorte»

Paulo Gonçalves: «Faltou uma pontinha de sorte»
• Foto: epa

O segundo lugar anteontem alcançado por Paulo Gonçalves no Dakar foi muito festejado pelo motard português e pela Honda, mas o piloto não deixa de pensar no que faltou para ganhar a mítica prova de todo-o-terreno, que mais uma vez consagrou o espanhol Marc Coma (KTM). Speedy Gonçalves, que hoje à tarde chega ao Porto, lamenta os problemas mecânicos que forçaram à troca do motor da moto e à consequente penalização, mas ficou com a certeza que ganhou a bagagem necessária para no próximo ano obter outro resultado.

“Faltou uma pontinha de sorte. Terminei a 16.53 minutos, mas sem as penalizações (15 minutos pela troca de motor e 2 por excesso de velocidade) teria ficado à frente dele. Ou seja, na pista fui mais rápido que o Coma”, começou por nos dizer Paulo Gonçalves. “O Hélder Rodrigues e o Barreda [também pilotos da Honda] perderam imenso tempo, eu também perdi mas consegui manter-me dentro da luta pelo primeiro lugar.”

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A KTM (onde também estava Ruben Faria) passou ao lado dos problemas mecânicos, ao contrário da Honda... “Eu sabia que a troca do motor ia penalizar-me em 15 minutos e que seria difícil recuperar, ainda para mais perto do fim. Mas havia a esperança que o Coma também fosse obrigado a trocar, o que acabou por não se verificar”, lamentou.

Seja como for, o piloto de Esposende, que alcançou este ano o seu melhor resultado de sempre na prova, acredita que em breve um português ganhará o Dakar. “Para se vencer esta prova é preciso aliar a qualidade da equipa, do motor e do piloto à sorte. A mim faltou-me a estrelinha... Mas depois de tantos azares que já tive no Dakar, chegar ao pódio foi muito bom. No futuro vou ter mais calma.”

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Coma, a “pedra”

Os duelos de Paulo Gonçalves e Marc Coma não são de agora. No ano passado o português, que foi campeão do Mundo em 2013, perdeu o título mundial de todo-o-terreno para o espanhol, na última corrida. “É uma pedra no sapato... Uma ovelha negra”, diz o português, entre risos. “Mas foi uma disputa muito justa, ele é um piloto honesto, atua com fair play e é um justo vencedor. Claro que gostava de ter vencido o Mundial e o Dakar, mas infelizmente não aconteceu...”

Coma disse numa recente entrevista que gostava de trocar as duas rodas pelos carros... “Se isso acontecer perde-se um grande valor nas motos”, afiança sem hesitar o português, reconhecendo: “Mas tornava as coisas um bocadinho mais fáceis. Só que se as motas ficam sem um piloto que foi cinco vezes campeão do Dakar, perde-se competitividade e isso não é bom.”

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