«Caímos num buraco nas dunas e houve dois árabes que foram a nossa salvação»

• Foto: Pedro Ferreira
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Como disse, o grande objetivo era terminar, fê-lo e sem problemas de maior. Falando um pouco de forma egoísta, como se sentiu e o que significou voltar ao Dakar?

Sim, um dos grandes objetivos era terminar, o que por si só, num Dakar já é bastante difícil. Esta é uma das provas mais duras e longas do mundo. Fomos tendo alguns problemas, fomos prejudicados também por outras situações que inclusivamente fomos partilhando com o Record nas crónicas diárias que fomos enviando durante o decorrer da prova. Foi um pouco frustrante ao longo do Dakar nesse sentido porque nos sentimos limitados com algumas dessas situações. Por outro lado, voltar ao Dakar foi voltar a viver um sonho antigo, que tinha ficado a meio. Estamos muito satisfeitos por termos concluído a 44ª edição do Rali Dakar, o que é sempre uma vitória. O principal objetivo foi cumprido. Agora é pensar no futuro.

Passadas duas semanas, agora mais a frio, vêm-lhe à cabeça aqueles pensamentos do género ‘devia ter feito desta forma e não daquela’?

É inevitável que isso aconteça. Até é saudável olhar para trás e analisar o que poderíamos ter feito de forma diferente e que teria com certeza outros resultados. A análise de diversas situações aplica-se no fundo a todos os momentos e faz parte da nossa forma de estar na vida.

Sentiu que foi uma segunda estreia?

Sim, com tanto tempo de intervalo, foi claramente uma estreia. Já estávamos completamente fora deste ritmo, até porque o Dakar tem vindo a mudar bastante ao longo do tempo. A própria navegação está diferente. Foi praticamente uma novidade em vários aspetos.

Passados 12 anos, quais as principais diferenças desta para a última participação, para além, claro está do continente e do terreno?

A principal é a prende-se com a navegação. Tudo o resto é um pouco idêntico. A prova faz parte do Campeonato do Mundo, há novas ordens de partida, nova regulamentação técnica que entrou em vigor em 2022. Essas são as principais. Depois em termos de terreno e sendo deserto acaba por ser similiar.

Sentiu-se mais rápido?

Sentimos que podemos ser mais rápidos neste tipo de piso se tivermos oportunidade de treinar. Obviamente que não estamos, neste tipo de piso, ao mesmo nível que estamos nas Bajas, mas é normal e já contávamos com isso!

Qual o melhor e o pior momento desta participação?

O primeiro dia foi muito frustrante e condicionou um pouco a restante corrida, marcou-nos logo deste início.

Qual a história mais caricata que viveu na Arábia Saudita?

Na segunda semana caímos num buraco nas dunas. Estava bastante calor e a areia muito mole. Percebemos que não conseguiríamos sair dali sem ajuda. Apareceram dois árabes que foram a nossa salvação naquele dia. Penso que esta terá sido a história mais caricata.

Quantos quilos perdeu durante aqueles 15 dias? Já os recuperou?

Perdi cerca de 2/3 quilos, o normal numa prova destas. Não convém perder muito, porque significa estar a perder também massa muscular, o que afeta tudo o resto. Ainda não os recuperei e estou a trabalhar nisso (risos).

Para o ano há mais?

Ainda não sei. Vou fazer uma retrospetiva, falar com os patrocinadores e ver o que é que o futuro nos reserva. Em breve daremos com certeza mais notícias. Obrigada pelo apoio que sentimos da parte do Record e dos seus leitores. Somos gratos. Até à próxima corrida.

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