Dunas peruanas são armadilhas

Pilotos terão pela frente um percurso adverso, com 70% dos cerca de 3.000 km a serem corridos em areia

O Dakar arranca hoje em Lima, com uma etapa especial (84 km, num total de 331), numa prova que tem a particularidade de ainda ninguém saber bem o que o espera. O inédito percurso realizado pela primeira vez num só país, o desconhecimento dos critérios dos organizadores no desenho do traçado, o desgaste nos motores provocado pela altitude, as temíveis dunas e o percurso com muita areia (70% dos cerca de 3.000 km) são adversidades que irão marcar o desfecho da corrida, pois aumentam a exigência física e a capacidade de navegação. E ao contrário dos 14 dias habituais, a 41ª edição terá apenas dez etapas, duas delas em formato maratona, onde os concorrentes não têm assistência.

Existem, no entanto, pilotos mais apetrechados do que outros, sendo que o francês Stéphane Peterhansel, recordista com 13 triunfos – sete nos carros e seis nas motos –, e o espanhol Carlos Sainz, que defende o título, são favoritos nos carros, ambos em Mini.

Quanto às motos, a KTM tem dominado a prova desde 2001, pelo que apresenta um leque de pilotos que podem vencer, entre os quais o austríaco Mathias Walkner, o australiano Toby Price e o britânico Sam Sunderland, vencedores das últimas três edições, e com Mário Patrão, que corre na marca oficial, a apresentar-se como outsider.

Paulo Gonçalves (Honda), que foi 2º em 2015, poderia ser apontado como alternativa ao favoritismo da KTM, mas recupera de uma operação. As dificuldades não esmorecem o desejo de aventura, pois o Dakar apresenta 337 veículos, mais 1,7% do que em 2018, e com 18 portugueses. Há ainda o recorde de participação feminina, com 17 mulheres.

Gonçalves debilitado mas com reforços

O motard Paulo Gonçalves conta com dois reforços na estrutura da Honda. Hélder Rodrigues e Rúben Faria foram contratados no final de 2018 como ‘riders advisor’ e ‘team manager’, respetivamente, numa equipa que contava já com Bianchi Prata (logística) e Marco Reis (mecânica). "São antigos pilotos com muita experiência e que terminaram ambos no pódio. Apoiam no ‘road book’ e nas especiais", explicou Paulo Gonçalves à agência Lusa. Aos 39 anos, ‘Speedy’ Gonçalves parte com o objetivo de terminar: "O Dakar nunca é fácil. Sobretudo para quem está fora da forma ideal. Estou a recuperar dos pontos da operação ao baço, mas também perdi muito sangue. Foram cerca de três litros. Por isso fui operado de urgência."

Por Alexandre Reis
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