Aventura em Angola: E não é que o leão se zangou?

Chegámos a Angola. E todos nós entrámos nesta antiga colónia portuguesa com diversas sensações - uns com emoção mal contida, porque aqui nasceram e só agora voltaram; outros com imensa alegria, por estarem mais uma vez num país que também consideram seu, pois aqui viveram largos anos e aqui nasceram as suas filhas; no fundo, todos nós despertos para a descoberta ou redescoberta de uma África intensa, com todo o seu encanto e misticismo, como lemos na entrada do Vihua Lodge, em Gambu, onde a Lena e o Leite nos proporcionaram uma simplesmente fantástica recepção e uma noite inolvidável.

Foi demorado, mas fácil chegar até aqui. Os trâmites fronteiriços em Santa Clara ficaram aligeirados desde que o comércio através de veículos pesados vindos da Namíbia se tornou quase inexistente. «É a crise», dizia a simpática guarda da SMF, os serviços de emigração e fronteiras que tratava da nossa papelada. «Antes, isto que aqui vêem», e apontava apara o imenso parque de estacionamento, «estava completamente cheio de camiões, mas agora…». Agora passam por ali uns quantos veículos ligeiros e alguns turistas, mas não em número suficiente para dar trabalho aos «despachantes alfandegários» que nos trataram de todo o processo burocrático, que inclui até fotos das viaturas.

Cambiado alguns rands sul-africanos ou dólares namibianos por Kuanzas, comprados os indispensáveis cartões sim, abastecidos os jipes, arrancámos estrada fora, direção ao Lubango. No caminho, fomos surpreendidos por violenta chuvada, uma daquelas africanas cujas gotas são estupidamente «grossas», que não nos impediram de dar uma espreitadela a Cahama, um «cemitério» de material militar (tanques vários e até um hélio) elucidativo da guerra civil que devastou Angola durante muitos anos.

E mais adiante lá estava o Leite à nossa espera – com uma garrafa de champanhe, diga-se de passagem - no cruzamento que nos levaria picada fora até ao lodge. Já era escuro, mas mesmo assim foram 73 quilómetros fantásticos por entre as paredes de capim que ladeavam a estreita tira de terra que íamos galgando. Depois, foi a festa do jantar e do após jantar, que envolveu ainda um safari noturno para ver a bicheza.  

Encontro inesperado no Etosha

Saídos de Windhoek, fomos visitar uma das mais importantes reservas naturais da Namíbia – o Etosha. E tivemos sorte, pois foi possível observar uma quantidade significativa de animais – zebras, gnus ou bois-cavalo, gazelas de vários «modelos» e ainda alguns dos mais difíceis de encontrar, como rinocerontes, chitas e…leões.

E foi com um deste espécime que aconteceu um episódio que deu para rir, mas podia não ter dado. O bicho, um macho grandinho, estava tranquilamente à beira do estradão a dormir. E, claro, lá tivemos de o ir chatear para as inevitáveis fotos, até porque ele estava mesmo ali à mão de semear.

Mas de repente, eis que o bicho se levanta e assume uma postura agressiva.  O «gato» mostrou os dentes e as garras e foi por pouco que não soltou para o jipe… Apesar de estarmos com as janelas fechadas, como aliás mandam as regras neste tipo de encontros inesperados, o susto que apanhámos não foi pequeno, como poderão imaginar.

Mais tarde, perguntávamos uns aos outros: «Mas que raio deu ao bicho para ter tido aquela reação tão violenta?» E ficámos então a perceber, com a explicação que alguém nos deu: «Houve alguém que lhe disse que o Sporting só daqui a 30 anos é que voltava a ganhar o campeonato…»

Por Eládio Paramés
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