Carlos Sousa: «Gostava de defrontar os grandes no Dacar...»
O piloto português Carlos Sousa, há 2 anos sem contrato profissional com equipas de fábrica, pondera rejeitar um convite para participar no Rali Dacar (Argentina-Chile), dizendo-se vítima de boicote por parte dos "grandes".
"Fui fazer uns testes a Marrocos e uma equipa privada, com carros Mitsubishi, convidou-me para participar no Dacar. Gostava muito de defrontar os grandes, mas eles parecem incomodados e preferem que eu não apareça", disse Carlos Sousa à Agência Lusa.
Segundo o piloto de Almada, quarto classificado no Dacar de 2003, ainda em África, o seu nome continua numa lista de "notáveis", criada pelas três grandes marcas oficiais - Volkswagen, BMW e Mitsubishi -, o que o sujeita a regras especiais.
"Não faz sentido. Não sou piloto de fábrica há 2 anos. Estou perante um obstáculo. Sou o único entre os 80 inscritos a ter este tipo de restrições. Assim, nem consigo chegar perto dos pilotos principais nem acompanhar os privados", continuou Sousa.
As regras aplicadas aos nomes constantes da lista de pilotos com contratos profissionais, elaborada em 2007, incluem a aplicação de um restritor da potência do motor (em cerca de 60 cavalos) e de uma caixa de apenas cinco velocidades, entre outras limitações.
"Não vou disputar um Dacar nestas condições. Estou a tentar que a organização volte atrás porque isto não se justifica. Já falei com algumas equipas que também acham que isto não faz sentido", acrescentou Sousa.
O piloto português admite participar na Africa Race, entre 27 de Dezembro e 10 de Janeiro e com partida de Portimão, caso os responsáveis do Dacar (Argentina-Chile), entre 1 e 17 de Janeiro, de Buenos Aires a Antufagasta, imponham as referidas restrições.