Dakar: Doze portugueses "apadrinham" regresso da Peugeot
O sétimo Dakar fora de África vai passar pela Argentina, pelo Chile e pela Bolívia...
Os regressos da Peugeot, após 25 anos de ausência, e de uma etapa maratona marcam a 37.ª edição do rali Dakar~'2015 de todo-o-terreno, que decorre entre 4 e 17 de janeiro, competição na qual participam 12 portugueses.
O sétimo Dakar fora de África vai passar pela Argentina, pelo Chile e pela Bolívia, mas o trajeto de 9.200 quilómetros (4.600 dos quais cronometrados para automóveis e motos) não será igual para todas as categorias e os camiões nunca pisarão solo boliviano, a fim de não danificarem o frágil "salar" de Uyuni.
Pela primeira vez desde 2005, as três categorias disputarão uma etapa maratona dividida em dois dias, embora em locais diferentes, que o diretor da mítica prova, Etienne Lavigne, classifica como "um novo desafio para pilotos e organização". Nas motos, o espanhol Marc Coma (KTM) surge como principal favorito e não conta este ano com concorrência do francês Cyril Despres, com quem tem repartido as vitórias na prova desde 2005.
Despres, penta-campeão do Dakar, trocou este ano a moto pelo carro e vai ser um dos pilotos da Peugeot no regresso da marca francesa à mais importante prova todo-o-terreno do mundo, após 25 anos de ausência. Além de Despres, a marca do leão escolheu para conduzir os 2008 DKR o também francês Stéphane Peterhansel, recordista de vitórias, com 11 triunfos (seis dos quais na "anterior vida" de "motard"), e o espanhol Carlos Sainz, vencedor em 2010 e antigo campeão mundial de ralis.
Os três pilotos da Peugeot terão como principais rivais os homens da Mini, Nasser Al-Attiyah, do Qatar, e o espanhol Nani Roma, campeão em título, restando aos restantes concorrentes com maiores ambições esperar que as habituais "armadilhas" do Dakar façam baixas entre os favoritos. Carlos Sousa, o melhor português de sempre na categoria de automóveis, com o quarto lugar conquistado em 2003, volta a apresentar-se na linha de partida, ao volante de um Mitsubishi, numa classe em que vai competir também Ricardo Leal dos Santos.
Na sua 14.ª participação no Dakar, Carlos Sousa vai conduzir um Mitsubishi da sua nova equipa, o Team Brasil, pela qual se estreou há cerca de um mês com uma vitória no rali de Atacama, no Chile. Depois de no ano passado ter desistido na quinta etapa, o piloto português, que terminou oito edições no top-10, aspira a um lugar entre os cinco primeiros.
"Os Mini são favoritos, mas houve mudanças de pilotos. Em relação à Peugeot sabemos muito pouco. É difícil saber se é um Dakar para duas ou quatro rodas motrizes, espero chegar ao top-7, mas estou de olhos nos cinco primeiros lugares", disse, em declarações ao sítio da prova.
Ricardo Leal dos Santos regressa ao Dakar ao volante de uma Nissan Navara - com um motor a gasolina V8 - modificada no âmbito do projeto BAMP (Brasil Angola Moçambique Portugal), que pretende desenvolver uma viatura destinada às principais competições internacionais de todo-o-terreno produzida com a colaboração de empresas, tecnologias e universidades dos quatro países lusófonos. Leal dos Santos garante que o objetivo "é fazer algumas boas etapas e conseguir um lugar no top-5 nos carros a gasolina", lembrando que "ainda existe uma diferença muito grande para os carros a gasóleo".
Ainda nos automóveis, Filipe Palmeiro vai integrar uma equipa da Mini, liderada pelo chileno Boris Garafulic, e Vitor Jesus fará dupla com o argentino Nazareno Lopez, num Toyota. Nas motos, aos comandos de uma Honda, Hélder Rodrigues, terceiro classificado em 2011 e 2012, encabeça a "armada" portuguesa, composta ainda por Paulo Gonçalves (Honda), Ruben Faria (KTM) e Mário Patrão (Suzuki). Hélder Rodrigues, quinto classificado na última edição, garante, em declarações ao sítio oficial da prova, estar preparado para a prova, considerando essencial "gerir bem as etapas-maratona e não cometer um único erro".
O atual vice-campeão do mundo de todo-o-terreno, Paulo Gonçalves, admite que no Dakar - prova que abandonou no ano passado após a sua moto se ter incendiado na quinta etapa - a sua grande inimiga tem sido "a pressa".
"A grande dificuldade para mim tem sido fazer a gestão dos 15 dias de corrida, de uma forma regular, que me permita alcançar um bom resultado no final. No Dakar, o meu grande inimigo tem sido a pressa", explicou em declarações à agência Lusa.
O piloto português, que foi campeão do mundo em 2013, mostra-se confiante no trabalho que a equipa tem estado a desenvolver e assegura: "Temos um grupo muito coeso, que nos dá muita força, que trabalha por um objetivo comum que é levar a Honda à vitória no Dakar. E eu espero que seja já no Dakar 2015". Ruben Faria (KTM) parte para a prova, na qual foi segundo em 2013, com algumas cautelas e ainda a recuperar de uma lesão recente.
"Devido a uma lesão não pude fazer a preparação que o Dakar exige e que gostaria", afirma o piloto à agência Lusa, admitindo que as várias etapas acima dos 4.000 metros o assustam. Ruben Faria, que no ano passado não chegou à Bolívia devido a uma queda aparatosa, garantiu que vai entrar "a pisar fininho" por não conhecer bem o terreno do país, que entrou no ano passado no mapa do Dakar. Mário Patrão (Suzuki), o único "motard" português que participa como privado, garante ter feito uma boa preparação e espera conseguir "um lugar entre os 20 primeiros da classificação".
Nos camiões, José Martins, ao volante de um Renault, Armando Loureiro, também numa formação da marca francesa, e Pedro Velosa, que integra uma equipa da Iveco liderada pelo francês Joseph Adua, são os representantes portugueses. A prova que conta com 567 veículos inscritos nas diferentes categorias, junta participantes de 53 países, três dos quais estreantes absolutos: Índia, Nova Zelândia e Taiwan.