Dakar'2009: Missão cumprida no meio do caos
“Não há futuro no Dakar sul-americano.” A frase pertence ao piloto português Nuno Inocêncio (Mitsubishi) e traduz o estado de espírito da maioria dos participantes na prova disputada na Argentina e no Chile. A (polémica) morte de um motard francês marcou o evento pela enorme dureza e por erros da organização. Por isso, chegar ao fim já foi uma vitória.
“Ao segundo dia de prova, as pistas ficavam logo completamente deterioradas. Apanhei situações com 20 ou 30 carros ‘enterrados’. E, como não podíamos fazer ultrapassagens por só haver uma pista, que estava bloqueada por esses veículos, tínhamos de ‘furar’ quilómetros e quilómetros de mato...”, conta Nuno Inocêncio, que não tem dúvidas de que “a parte do reconhecimento foi muito mal idealizada pela organização. Ainda o rali não estava a meio e já estavam a anular partes do percurso”. “Foi uma boa corrida, mas, no final, ninguém disse que gostaria de voltar”, sublinha.
Acidente
Para Francisco Inocêncio, irmão de Nuno, também ao volante de um Mitsubishi, a prova não terminou da melhor forma devido a um acidente na última etapa. “Ao km 25, íamos no meio do pó e bati de frente numa barreira. Sofri uma luxação nas costas e, embora já esteja melhor, ainda me dói”, conta o próprio.
Francisco Inocêncio faz, ainda assim, um “balanço positivo” do “mais duro Dakar da história”. Estivemos para não vir devido à morte do nosso pai. Conseguimos ultrapassar as enormes dificuldades e acabar a prova. Por isso, a missão foi cumprida”.