Dakar'2010: Sousa partiu para Buenos Aires

Dakar'2010: Sousa partiu para Buenos Aires
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O piloto Carlos Sousa partiu este sábado (16h40) do Aeroporto de Lisboa em direção a Buenos Aires (Argentina) onde, pelo segundo ano consecutivo, terá lugar o arranque daquele que é considerado o maior rali do mundo.

Na bagagem, o piloto leva muita ambição e o objetivo de terminar no top 10. Confiante, descontraído e visivelmente bem disposto, Carlos Sousa fez preparativos muito diferentes de 2008, quando o rali se iniciava a poucos quilómetros de sua casa, numa edição que entraria diretamente para história por ser anulada mesmo na véspera da partida.

Dois anos volvidos, o itinerário nada tem de semelhante, exceção feita ao facto de Lisboa se manter como ponto de partida de uma viagem que atravessará agora o Atlântico e terminará apenas em Buenos Aires, num voo intercalado por uma curta escala em Madrid. Contas feitas, Carlos Sousa terá ainda que vencer os 9.557 quilómetros que separam as capitaisportuguesa e argentina, ou seja, e a título de curiosidade, um pouco mais que o percurso total desta 32.ª edição do Rali Dakar: 9.030 quilómetros.

"É o meu primeiro Dakar fora de África, um continente que mudou a minha vida há quase 14 anos. Mas seja em África ou noutro continente, um Dakar é sempre um Dakar. A competição mantém-se única; e os melhores pilotos do mundo continuam a estar presentes", enfatiza Carlos Sousa, o piloto português com maior sucesso no longo historial desta prova.

A disputar pelo segundo ano consecutivo na Argentina e no Chile, o rali compreende um total de 14 etapas que perfazem 4.810 quilómetros cronometrados, entre 1 e 16 de Janeiro próximo, coincidindo a chegada com o dia do seu 44.º aniversário. "Esperemos que seja um bom prenúncio e possa festejar duplamente. Pessoalmente, já o disse, a minha meta passa por conseguir um resultado dentro do top-10 final, objetivo que já atingi por seis vezes em 11 participações. O problema é que existem talvez mais 15 a 20 pilotos a partilharem desta minha ambição e até com melhores condições para o conseguirem", antevê Carlos Sousa.

"A minha maior apreensão tem menos a ver com o total desconhecimento do percurso ou com o facto de estrear uma nova motorização no Mitsubishi Racing Lancer (gasolina no lugar do diesel). O pior é mesmo saber que vou partir com uma injusta limitação no meu carro, imposta pelas equipas oficiais e depois confirmada pela Organização. Com efeito, vou ser o único dos 140 pilotos do pelotão a ter um carro com restritor de 32mm, ao invés dos 34mm estipulados para a admissão de

ar dos motores a gasolina. Na prática, isso representará menos 25 a 30 cavalos de potência", pormenoriza o piloto.

Como se isso não bastasse, e também fruto do seu estatuto - só equiparável ao dos pilotos oficiais -, Carlos Sousa será o único privado a recorrer a uma caixa de apenas cinco relações, contra as seis dos restantes carros, o que também limitará em 25 km/h a velocidade de ponta do seu Mitsubishi Racing Lancer MRP 10 inscrito pela JMB Stradale Off Road. "Até hoje, ninguém conseguiu explicar-me o porquê deste estatuto. A própria Organização admitiu que ele era injusto! Disseram-me apenas que a lista é elaborada de acordo com os resultados das últimas edições... Acontece que a última vez que disputei um Dakar foi já em 2007. Enfim, resta-me aceitar as regras do jogo, mesmo se ele está viciado logo à partida", acusa.

Mas, apesar destes condicionalismos, a determinação de Carlos Sousa segue em alta: "Parto bastante motivado e confiante, um pouco à semelhança do que aconteceu no início deste ano, quando regressei ao Campeonato Nacional", recorda Carlos Sousa, dominador absoluto da fase inicial do calendário, até um problema com uma hérnia discal o obrigar a abdicar daquele que seria o seu quinto título no plano nacional.

REGRESSO À ARGENTINA... SETE ANOS DEPOIS

Embora tratando-se, efetivamente, da sua estreia no atual formato sul-americano do Dakar, a verdade é que Carlos Sousa já por uma vez visitou a Argentina na qualidade de piloto. E as recordações deste país não podiam ser melhores, já que a vitória conseguida no Por las Pampas Rally, então disputado na zona de Córdoba, abriu-lhe em definitivo o caminho para a conquista da Taça do Mundo FIA de Todo-o-Terreno, em 2003: "Foi um ano inesquecível, talvez o ponto alto da minha carreira desportiva. Depois do 4.º lugar no Dakar, o meu melhor resultado de sempre na prova, juntei o título mundial ao europeu conquistado meses antes", recorda.

Agora, seis anos passados, é tempo de regressar ao país das Pampas e ali começar uma nova e inédita aventura. "Os primeiros dias na Argentina serão necessariamente de adaptação: ao fuso horário (mais quatro horas que em Lisboa) e também ao muito calor que ali se faz sentir, com temperaturas superiores a 30 graus. Mas antes calor que frio...", refere o piloto.

Na bagagem, além de muita ambição e vontade de se superar a cada dia de prova, Carlos Sousa leva também alguns objetos de que já não consegue separar-se, como um pequeno iPod: "Acho que seria capaz de dispensar tudo o resto, menos o meu iPod. É um objeto muito prático e que me habituei a usar sempre que viajo. Ajuda-me a descontrair e a passar o tempo, sobretudo em viagens tão longas e desgastantes como esta", revela o piloto português, com chegada a Buenos Aires prevista para as 9 horas de domingo (hora local).

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