Dakar'2012: Peterhansel aponta ao 10.º título
Ricardo Leal dos Santos pode alcançar "surpresa" com a Mini...
O Rali Dakar de 2012 continua muito distante das dunas de África, mas pode constituir um regresso às origens para o recordista Stéphane Peterhansel [à direita, na foto], seríssimo candidato ao 10.º triunfo na prova rainha de todo-o-terreno.
Sem a oposição da representação oficial Volkswagen, vencedora das três últimas edições, piloto francês é o principal favorito ao triunfo à chegada a Lima, na qualidade de "ponta de lança" da Mini All4 Racing, na qual o português Ricardo Leal dos Santos pode aproveitar o potencial de um carro ganhador, apesar de se limitar à retaguarda da equipa.
Nas motos, Hélder Rodrigues, motivado pela recente conquista do título mundial de todo-o-terreno, tem ambições ainda maiores, procurando aos comandos de uma Yamaha repetir, no mínimo, o terceiro lugar conquistado no ano passado, ainda que tenha de enfrentar a forte concorrência das KTM do espanhol Marc Coma e do francês Cyril Despres.
A 33.ª edição da prova será a quarta consecutiva realizada na América do Sul, em consequência da anulação do rali em 2008 devido à ameaça de ataques terroristas em África, percorrendo pela primeira vez território peruano, depois das passagens pela Argentina, onde a competição arranca em Mar de Plata, a 01 de janeiro, e pelo Chile.
Peterhansel nunca ganhou desde que a prova mudou de continente, mas este ano dispõe de condições privilegiadas para reeditar os sucessos que conheceu em território africano: campeão na categoria de motos em 1991, 1992, 1993, 1995, 1997 e 1998 e na de automóveis em 2004, 2005 e 2007.
A ausência da Volkswagen, que conquistou todas as edições sul-americanas do rali depois de ter quebrado o reinado de sete anos da Mitsubishi, por intermédio de Giniel de Villiers (2009), Carlos Sainz (2012) e Nasser Al-Attiyah (2011), deixou os Mini praticamente sem oposição à altura.
Os principais adversários de Peterhansel talvez sejam mesmo os seus colegas de equipa, em especial o espanhol Nani Roma e o polaco Krzysztof Holowczyc, cabendo a Leal dos Santos e ao russo Leonid Novitskiy esperar pelo infortúnio dos seus chefes-de-fila - ainda que isso não seja tão expetável como em África - para reclamar maior protagonismo.
Al-Attiyah defende o título conquistado em 2011 ao volante de um Hummer, o que o torna uma incógnita, mas ainda assim não tanto quanto Carlos Sousa, o melhor português de sempre na categoria de automóveis, ao terminar no quarto lugar em 2003, que apostou na China e no potencial do desconhecido Haval SUV.
Hélder Rodrigues reclama idêntico estatuto nas motos, depois de subir ao último lugar do pódio no ano passado, e perfila-se como o mais forte candidato português de sempre a vencer o rali, apesar de dificilmente impor a sua Yamaha se Coma e Despres conseguirem evitar contratempos.
Desde 2005, o espanhol e o francês alternam entre si a vitória e se a relação de forças se mantiver em 2012 será a vez de Despres responder ao triunfo de Coma no ano passado, num duelo privado entre motos KTM, que não deixa escapar a vitória no Dakar há 10 anos.
Paulo Gonçalves (Husqvarna) e Ruben Faria (KTM) procuram terminar entre os 10 primeiros, classificação que não é estranha a nenhum deles, enquanto Bianchi Prata (Husqvarna) parte com objetivos menos ambiciosos, à semelhança do que acontece com Francisco Pita (SMG) nos automóveis, os restantes representantes lusos.
A edição 2012 do Rali Dakar arranca a 01 de janeiro, em Mar del Plata, na Argentina, avança pelo Chile e termina 15 dias mais tarde em Lima, levando os pilotos a percorrer 8.363 quilómetros, 4.406 dos quais cronometrados.