Elisabete Jacinto no Morocco Desert Challenge: Dunas sem fim
As travessias de dunas são sempre um stress. De camião são-no ainda mais.
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As travessias de dunas são sempre um stress. De camião são-no ainda mais. Para mim agora tornou-se um pouco mais fácil pois com o motor um pouco mais potente subo as dunas com mais facilidade sem precisar de embalar o que, de facto, é muito bom.
De qualquer forma esta corrida não nos poupa e, desconhecendo o grau de dificuldade exigido às equipas de camião para percorrer as dunas, este organizador decidiu escolher os percursos mais difíceis. Até agora o balanço é de cinco camiões virados nas dunas o que me parece algo verdadeiramente horrível. Costumo sempre afirmar que um camião não é um carro grande mas só compreende as minhas palavras quem realmente conduz camiões.
Ontem o organizador levou-nos até às dunas mais altas do Erg Chebbi. Foram os últimos 20 km da etapa e, com o sol no ponto mais alto do horizonte, a ausência de sombras é total. Como a areia é toda da mesma cor não conseguimos perceber a inclinação das paredes das dunas o que causa uma grande angústia e torna tudo mais difícil. Saber posicionar o camião face à inclinação da areia é o segredo para uma boa progressão.
Apanhámos alguns sustos. O MAN ameaçou capotar para a frente duas ou três vezes porque algumas dunas eram verdadeiramente cortadas, ou seja, a parede do outro lado era mesmo vertical.
Hoje devido à grande tempestade de areia que se fez sentir toda a noite e todo o dia foram anulados os primeiros 30 km de percurso que correspondia à travessia do Erg Chebbi de norte para sul. Ficámos com uma carga bem mais ligeira mas mesmo assim ainda tivemos de fazer mais três travessias de dunas. Pela primeira vez na minha história participo num rali com muita areia mas onde não tive de sair do camião nem cavar uma única vez. Sinais de progresso. Contudo, o facto de estarmos nos lugares da frente fez com que tivéssemos poucos rastos na areia. Uma dificuldade a que ainda não estamos muito habituados.