Hélder Rodrigues: «Vou ao Dakar para ganhar»

Novo estatuto de piloto n.º 1 da Honda reforça ambição do piloto português...

Hélder Rodrigues: «Vou ao Dakar para ganhar»
Hélder Rodrigues: «Vou ao Dakar para ganhar» • Foto: PAULO CALADO
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Motociclista de 33 anos inicia sábado a sétima presença na mítica prova de todo-o-terreno e está determinado a concretizar o sonho de criança.

RECORD – No seu site oficial diz que vencer o Dakar é um sonho de criança. Espera concretizá-lo este ano?

HÉLDER RODRIGUES – Sim, espero que tudo corra bem, aliás, como tem corrido nos anos anteriores. Vou lutar para estar na frente da corrida, que é o meu objetivo, tendo, no entanto, sempre como preocupação a segurança e o meu futuro. A intenção é andar nos lugares da frente do Dakar durante muitos anos e não apenas só mais uma vez. Por isso, é preciso ter cabeça e manter os pés bem assentes na terra, de forma a que as coisas corram bem, não só este ano mas durante muito tempo.

R – A sua participação no Dakar tem sido sempre em sentido ascendente. Foi 9.º classificado em 2006, 5.º em 2007 e 2009, 4.º em 2010, 3.º em 2011 e 2012. Este ano podemos esperar o 1.º lugar?

HR – É para isso que trabalho, tentando evoluir a moto e dando o máximo possível. Vou ao Dakar para ganhar, mas sei que os outros pilotos, como o Cyril Despres, também irão lá estar para ganhar. Serão 14 dias de dura competição, em que todos vão tentar o mesmo.

R – Este ano terá, teoricamente, mais condições para conseguir esse objetivo, já que dispõe de uma moto mais competitiva e de uma equipa a trabalhar para si...

HR – Sim, este ano vou ter mais condições para estar na frente da corrida, isto apesar de termos muito pouco tempo de trabalho com a moto, apenas quatro ou cinco meses. A equipa é toda nova e tivemos algumas dificuldades, uma vez que o que os outros fizeram em quatro ou cinco anos, nós tivemos de fazer em apenas quatro ou cinco meses. Mas acho que estamos a um nível muito bom e podemos estar muito bem no Dakar.

R – Como tem sido a preparação para o Dakar?

HR – A preparação deste rali não foi fácil, na medida em que foi feita muito rapidamente. Só em junho é que vi a moto, a seguir disputei uma corrida com a Yamaha e apenas em julho é que experimentei a moto pela primeira vez. Depois, foi trabalhar no duro até dezembro. São muito poucos meses de preparação. No entanto, tanto na fábrica da Honda, no Japão, como a minha equipa, em Portugal, temos trabalhado bastante para que as coisas corram bem.

R – E nota evolução?

HR – Noto muita evolução. Esta é a quinta geração desta moto. Até ao início do Dakar, iremos continuar a tentar melhorar um pouco mais a moto, as suspensões, trabalhar todos os pequenos pormenores...

R – Quais serão os principais rivais no Dakar?

HR – a KTM continua muito forte, com o Cyril [Despres]. Depois, há a Husqvarna, que também tem pilotos muito bons, com o Paulo [Gonçalves] e o [Joan] Barreda, e ainda a Tamarugal Rural, que é uma equipa chilena, com pilotos fortes, como o Chaleco [López] e o [Jordi] Viladoms. Além de nós, parece-me que estes são os outros pilotos que irão estar na lutar até ao final.

R – Qual a diferença entre estar na Yamaha, com uma moto quase de fabrico “artesanal”, e na Honda, onde tem uma megaestrutura a apoiá-lo?

HR – Na Yamaha, a moto estava ‘feita’. Trabalhámos nela durante quatro/cinco ano. E, apesar de se tratar de uma equipa amadora, a moto estava praticamente perfeita. Agora, estou numa equipa oficial. Temos tido bastante trabalho e sentido algumas dificuldades, mas tenho a certeza absoluta de que no futuro esta moto vai ser muito melhor do que a que eu tinha e eu próprio vou ser muito mais competitivo.

R – Irá sentir mais responsabilidade pelo facto de a Honda estar há mais de 20 anos sem competir no Dakar e também por ser o piloto n.º 1 da equipa?

HR – Não vou sentir mais responsabilidade, até porque antigamente, se acontecesse alguma falha, era tudo culpa minha, na medida em que nós é que fazíamos tudo. Agora, há várias pessoas no projeto e o meu trabalho é andar na moto, tentar não me perder e fazer uma boa corrida. Se alguma coisa depois disso falhar, não é só responsabilidade minha. Por isso, até nem sinto tanta responsabilidade como no ano passado.

R –Vai regressar à América do Sul, onde sofreu um grave acidente em 2007, no Rali da Argentina. É verdade que já lá voltou depois disso, mas existe, ainda assim, alguma sensação diferente quando compete naquela zona?

HR – A única sensação diferente é que não conheço tão bem aquela zona como, por exemplo, Marrocos. Não me sinto tão à vontade, mas já tenho feito lá bastantes ralis e algumas provas do Dakar.

R – A América do Sul é uma boa opção para se disputar o Dakar ou preferia África?

HR – Considero tratar-se de uma boa opção, porque este desporto também depende do espetáculo e ali podemos dar esse espetáculo. Temos muito público, uma corrida competitiva e patrocinadores felizes, porque existe retorno.

R – Quais são as principais diferença?

HR – Em África, havia dias em que não se via ninguém. Era só o piloto, a moto e o deserto. No caso da América do Sul, isso não acontece. Temos muito público e isso acaba por tornar a corrida mais atribulada em termos de gestão por parte dos pilotos. A competição é mais stressante. Mas, por outro lado, também há mais pessoas que nos podem ajudar. No caso do Dakar em África, quando tínhamos um problema, nem que fosse a falta de um litro de gasolina ou de um simples fio, ninguém ajudava. Já na América do Sul, há sempre alguém pronto a ajudar.

«Comecei a andar de moto com 5 anos»

R – Lembra-se da primeira vez que andou de moto?

HR – Lembro-me, claro! O meu pai tinha uma Yamaha Ténéré e uma Honda CBR. E eu andava com, ele à frente.

R – Quanto anos tinha?

HR – Comecei com 5 anos. Aos 7, já queria uma moto só para mim e aos 9 ele ofereceu-me uma moto pequenina. Comecei a competir aos 13 anos, em motocrosse.

R – E quando aconteceu a sua primeira vitória?

HR – Foi no segundo ano de competição. No primeiro ano, fiquei em 2.º lugar no Regional de motocrosse e no segundo ganhei.

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