Lisboa-Dakar: pilotos indignados com cancelamento
O cancelamento do Lisboa-Dakar foi recebido com tristeza e indignação pelos pilotos enquanto que o primeiro ministro francês se mostrou totalmente a favor da decisão.
O "motard" francês Cyril Despres, vencedor da última edição, não escondeu a decepção. "A mim cortaram-se as duas pernas. O Dakar é a minha vida. Mas o maior prejuízo é para os organizadores, eles também pensam na corrida todos os dias", lamentou.
O piloto espanhol Nani Roma também se mostrou descontente pelo cancelamento sublinhando que iria apostar tudo nas quatro rodas.
"Para mim é triste porque queria ganhar nos carros. Este ano não poderá ser, espero ter outra oportunidade. A nível pessoal é um golpe duro. Estamos surpreendidos e em estado de choque. É triste para nós, para a equipa e para a organização", afirmou.
O compatriota Marc Coma, vencedor em motos em 2006, mostrou-se igualmente triste pelo adiamento e lembrou os prejuízos. "Primeiro pensamos que vamos ficar um ano sem correr, mas depois vêm as outras coisas: o trabalho dos mecânicos, da fundação [Dakar Solidário], os amigos que temos em África e que não veremos este ano. É triste", expressou.
Coma falou ainda das consequências que a decisão acarreta para a Mauritânea: "É um país que está mal e depois do que se passou não sei quem vai querer lá ir".
O espanhol Carlos Sainz, um dos favoritos nos carros, considerou tratar-se de um "golpe muito duro e um mau precedente para o desporto em geral".
"Pensei que suspenderiam apenas os troços na Mauritânia e que fariam uma etapa alternativa em Marrocos, que é um país seguro. Decidiram suspender tudo e lá terão as suas razões. Não tenho todos os elementos", sublinhou.
Ao invés, o primeiro ministro francês, François Fillon, saudou "a decisão sensata" da anulação, pois "a vida das pessoas é o mais importante de tudo" e reforçou que "era verdadeiramente um risco inútil".