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Amanhã vou esquecer-me de que o Mundo existe

A crónica da piloto portuguesa

De todas as etapas esta é sempre a pior. Teoricamente deveria ser a melhor porque estamos folgados e entusiasmados, a etapa é curta, não fizemos mais do que 100 km... Mas eu funciono um pouco ao contrário. A primeira etapa custa-me bastante, o ritmo é baixo e fico sempre demasiado cansada!... E assustada: "não vou conseguir aguentar isto até ao fim!" É sempre o meu pensamento. Há toda uma série de pequenas coisas que não estão devidamente afinadas, que não estão no sítio certo e que transtornam a condução. A noite anterior é sempre curta porque temos de madrugar, a alimentação é péssima e quase sempre parto para etapa com fome.

Acabo-a toda transpirada e é com a roupa molhada que tenho de fazer mais 457 Km até chegar ao acampamento. Quando chegar já vai ser de noite, vai estar muito frio e ainda vou tardar a montar a tenda, abrir o saco e vestir roupa seca... Enfim este primeiro dia é mesmo para esquecer!

Sei que na etapa seguinte tudo vai correr melhor. Já melhorei uma série de detalhes e já me vou sentir melhor no meu posto. Todos os problemas do meu dia-a-dia em Lisboa ficaram para trás. Vou esquecer-me de que o resto do Mundo existe. Aqui tenho apenas uma coisa com que me preocupar: conduzir bem. Tudo o resto acontece com naturalidade e até a comida me aparece à frente sem que eu faça nada para que tal aconteça. De repente, parece que tudo se aligeira. O resultado do dia anterior faz-me sentir que tenho de "abrir a pestana" e "atirar-me para a frente". Tudo parece ficar mais fácil e o rali começa a fluir. Quando chego à última etapa reconheço que estou cansada mas continuaria a conduzir com a mesma energia e o mesmo prazer tantas etapas quantas houvesse. Sou, de facto, uma mulher de longas maratonas.
Por Elisabete Jacinto
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