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Hoje é dia de descanso

A crónica da piloto portuguesa

Neste momento estamos em Dakhla, uma cidade litoral bem ao sul de Marrocos, famosa entre os apaixonados pelo Kitesurf. Acampamos mesmo á beira-mar pois as marés aqui são bem pequenas. Nota-se bem que já descemos bastante para sul pois já amanhece mais tarde, as noites já são menos frias e os dias bem mais quentes.

Hoje é dia de descanso. A caravana do rali vai ficar aqui estacionada durante todo o dia de hoje e, amanhã bem cedo, partimos para a Mauritânia. O rali muda agora de perfil pois as etapas de Marrocos são bem diferentes das da Mauritânia em todos os sentidos. Marrocos caracteriza-se pelas suas destruidoras pistas duras, cheias de pedra, valas, lombas... E também pelo entusiasmo dos concorrentes ainda folgados e animados à procura de bons resultados. Cada um tem pressa de brilhar na classificação e não são condescendentes para com o acelerador. O problema está no facto de o material não suportar tantos maus tratos e, para muitos, a corrida fica comprometida aqui mesmo. Na Mauritânia domina a areia, o piso é menos destruidor, mas as dunas são horríveis. De aspeto dócil e inofensivo, salpicadas por lindos tufos de erva verde, do qual resultam paisagens maravilhosas, levam-nos até à exaustão. A condução é difícil, a velocidade é baixa, o calor por vezes abrasador... A areia sempre mole tem a particularidade de, por vezes, nos reservar a surpresa de ser realmente muito mole e é aí que tudo se complica. O camião afunda na areia e recusa-se a andar... Vamos até às lagrimas. Não esquecerei jamais aquela etapa em que cavei durante quatro horas para tirar camião de um sítio e voltar a enterrá-lo logo ao lado.

Bom... eu confesso que também tive alguma ânsia de mostrar que era capaz de andar depressa, mas o nível competitivo entre os camiões é muito alto. Não há como chegar ao nível da equipa Kamaz, pela sua capacidade técnica, orçamental, e humana. Os seus pilotos são excelentes e muito bem apoiados. É atualmente a melhor equipa presente em todos os ralis. Eles lutam pelo topo da classificação geral. E nós vamos por arrasto, mas os nossos meios não são, nem de longe nem de perto, os mesmos. Consegui a classificação que ambicionava mas destruí todos os pneus que trouxe, dei cabo dos amortecedores, fiz várias mazelas no camião e vejo com apreensão as etapas que estão para vir.

Enfim, hoje descansamos, reorganizamos a nossa bagagem, tomamos fôlego... Os mecânicos trabalham... Como sempre!
Por Elisabete Jacinto
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