Record

Momentos antes da partida...

Elisabete Jacinto
Elisabete Jacinto
Elisabete Jacinto
Elisabete Jacinto
Elisabete Jacinto
Elisabete Jacinto
Elisabete Jacinto
Elisabete Jacinto
Elisabete Jacinto
Estamos mesmo ao pé das dunas, montanhas de areia dourada que adquirem formas lindíssimas talhadas pelo vento e que marcam a paisagem de uma forma brutal.

Vamos partir dentro de alguns minutos. É altura de me preparar, mas não sem primeiro tirar uma foto com um grupo de portugueses que veio de férias e fez questão de vir demonstrar o seu apoio.

Primeiro tento colocar a cinta ortopédica na melhor posição possível, se ficar mal vai magoar-me durante toda a etapa. Comprei uma nova para este rali porque a antiga me fazia um buraquinho nas costas que se ia alargando ao longo do tempo e me incomodava bastante. Ponho o sistema Hybrid sobre os ombros, a balaclava na cabeça e enfio o capacete com cuidado para que não fique demasiado puxada para a frente e me tape os olhos durante a etapa!...o que já aconteceu!

Faço força com as pernas para empurrar o corpo para trás, contra as costas da baquet e, desta forma, conseguir apertar o cinto de segurança. É que as fitas estão, de facto, muito justas pois tenho de ficar muito apertada... Durante as etapas as almofadas vão ceder e se ficar um pouco solta vou-me sentir desconfortável e cansar-me mais... Mas, não posso correr o risco de prender a circulação. Certifico-me de que o cinto está bem fechado. No rali de Marrocos abriu-se ao fim de quase cem quilómetros o que me deixou em estado de choque.

Verifico que os tubos da água estão no sítio certo. Criámos um novo sistema de abastecimento de água porque não temos espaço para os antigos Camelback.

Calço as luvas e verifico que o fecho do fato está bem aberto para que entre o ar. Este é o meu sistema de ar condicionado.

O Marques executa também os seus rituais de preparação da etapa, calmamente e com tempo. Só o Marco anda na rua a conviver com uns e com outros. Entra sempre no último momento e ajuda-me a fixar o sistema Hybrid ao capacete, coisa que nunca sou capaz de fazer sozinha, e liga-me o intercomunicador.

Respiro fundo... Estou pronta. Ponho o conta-quilómetros a zeros, ligo os bloqueios, acendo as luzes... E as luzes de pó também.

Paira o silêncio dentro da cabine. Estamos os três preparados. O Marco liga a pequena câmara de filmar que está colocado perto da sua cabeça. Estou atenta aos veículos que se alinham para a partida. O Marques indica-me a sequência dos números das equipas que partem à minha frente. Entro na fila quando chega o momento certo. Sigo com os olhos o pó dos que partem à minha frente e tento perceber as características do terreno.

Consigo ouvir o som da minha respiração no micro e o meu coração acelera-se antes da partida.

Ontem o resultado foi bom. Hoje tinha um montão de carros atrás de mim que me quiseram ultrapassar. Foi um dia de muito pó.
Por Elisabete Jacinto
Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
SUBSCREVA A NEWSLETTER RECORD GERAL
e receba as notícias em primeira mão

Ultimas de Elisabete Jacinto na Africa Eco Race

Notícias

Notícias Mais Vistas

M