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Na praia de Dakar

A crónica da piloto portuguesa

Ora aqui estamos nós na praia de Dakar felizes e contentes por ter chegado ao fim.

Aproveitamos para "cuscar" os camiões dos outros e, de máquina em punho, vamos fotografando tudo o que nos pareça interessante a nível técnico. Fazemos poses com uns e com outros, vamos conversando, trocando histórias do rali... É aqui na praia que se estreitam alguns laços que se foram formando de uma forma ténue ao longo dos dias. Aquele facilitar a ultrapassagem àquela equipa que nos impedia de subir a duna por estar numa situação ainda pior que a nossa, o voltar atrás para entregar uma garrafa de litro e meio de gasolina ao motard que vinha na berma da estrada a empurrar a moto com o depósito completamente vazio... Trocam-se números de telefone, endereços de e-mail.

É boa a sensação de estar aqui. Não é só a de dever cumprido. É bem mais do que isso. O rali foi como todos os outros: sofrido com muita luta e muito empenho. Viemos para andar rápido e apostámos forte nas etapas de Marrocos, mas a nossa suspensão não estava ao nível das expectativas e rapidamente começámos a partir material. Os mecânicos trabalharam várias noites até tarde. Destruímos toda a nossa reserva de pneus e começamos a recear o pior. O Jorge fez-me um longo discurso sobre a necessidade de abrandar o ritmo e preservar o camião para conseguir chegar ao fim... Mas, esse não é o meu sonho! O que quero é andar muito depressa! Tive de me render às circunstâncias e foi com esse espirito que entrei na Mauritânia. Sofremos ainda o contratempo do Vítor ter ficado doente e de ter de nos deixar. Apesar de fragilizada a equipa ficou mais forte. Com a calma necessária fomos superando todas as dificuldades e gerindo todas as situações...fomos progredindo. Vivemos momentos de grande desilusão e frustração mas, no final, atingimos os nossos objetivos e fica este magnifico sentimento de realização, de superação... E de satisfação. É muito bom quando chegamos onde queremos, principalmente quando não é fácil e passamos muito tempo com a sensação de quem esta a remar contra a maré. Afinal percebemos que conseguimos ser mais fortes do que a maré e essa é uma conquista nossa.

Fazer esta crónica todos os dias também não foi fácil. Criou alguma pressão e obrigou a um grande planeamento e a uma boa gestão do tempo e da energia. Tempo que é sempre pouco nestes ralis e energia que já não há quando se chega ao fim do dia. Contudo, gostei de partilhar convosco os vários momentos da nossa corrida...momentos que foram muito importantes para mim de um rali que passou muito depressa!
Por Elisabete Jacinto
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