Record

Que bom!... Hoje é dia de descanso!

A crónica da piloto portuguesa

Elisabete Jacinto
Elisabete Jacinto • Foto: Jorge Cunha
Embarcámos por volta das dez da noite. Damos graças por este dia que passamos no barco sem nada para fazer. São duas noites e um dia inteiro. Desembarcaremos no dia 29 de madrugada e nesse dia faremos a primeira etapa. Para já, descansamos. Os camarotes e a comida não são maravilhosos, mas não somos exigentes. A parte boa é a de que não há nada para fazer. Fazemos uma reunião de equipa pois temos um novo elemento e temos que estar todos em sintonia, há um briefing e o estágio de GPS para assistir, a burocracia de fronteira e nada mais... Aproveito para descansar o mais possível que bem preciso.

Os dias que antecedem o rali são sempre muito desgastantes. Aumentámos o ritmo de trabalho muito cedo na expectativa de conseguirmos um ou dois dias livres antes do rali...mas nunca o conseguimos. Não por nossa culpa, mas porque dependemos sempre do trabalho de pessoas exteriores à equipa. Para elas, as palavras "rigor", "qualidade de trabalho", "prazos de entrega" e "planeamento" não tem exatamente o mesmo significado que para nós e por isso estamos sempre a ser confrontados com contrariedades que se arrastam no tempo e nos fazem desesperar. Acabamos sempre por ter de trabalhar até ao último minuto com a adrenalina a níveis muito altos. Ficamos exaustos.

Na estrada o Marco dorme o tempo todo. A mim confesso que me fazia falta alguma tranquilidade, algum tempo para refletir e organizar as ideias, estudar bem o percurso do rali, rever pequenos truques... Mas, o tempo não chega pois há que fazer, fazer, fazer...
Não há como acalmar o stress e a ansiedade que tudo isto envolve. Até porque este é o momento em que todas as dúvidas se levantam. Duvidamos que somos capazes, que tenhamos feito as melhores opções... Reaparecem os sintomas de antigas lesões, as insónias, os pesadelos! É o stresse do rali que se agudiza com o cansaço.

E pronto! Esta viagem de barco vai servir para acalmar. Para perguntar a mim própria se serei capaz de me intrometer na classificação entre os Kamaz e o Tatra, de me classificar no pódio! Para isso terei de ser sempre perfeita e de ter a sorte do meu lado. Quem sabe se será desta vez? Nem sempre a sorte é madrasta! Hoje tenho tempo para sonhar com este rali.
Por Elisabete Jacinto
Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
SUBSCREVA A NEWSLETTER RECORD GERAL
e receba as notícias em primeira mão

Ultimas de Elisabete Jacinto na Africa Eco Race

Notícias

Notícias Mais Vistas

M