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Elisabete Jacinto: «Educação machista faz com que não seja valorizada»

Piloto conta experiência própria

• Foto: Jorge Cunha
Elisabete Jacinto já se habituou a ser a única mulher presente na categoria dos camiões. A piloto batalha num meio quase exclusivamente masculino e conta como o consegue.

"Já há muitos anos que sou a única mulher. Quando comecei a conduzir o camião havia mais uma ou duas mas desapareceram. É preciso ter uma grande estrutura, saber estar em competição. Não é aquele tipo de desporto que faças sozinho. Tens de ter alguém que te apoie, uma equipa. Nesse aspeto as mulheres são mais dependentes do que os homens por uma série de razões. No meu caso tenho a sorte de ter o meu marido comigo, os dois fazemos um núcleo muito sólido. Apoiamo-nos um ao outro e juntos suportamos as adversidades", começou por dizer a Record.

A piloto da Oleoban debruçou-se depois sobre o lado negativo: o machismo que ainda impera na área.

"Há casos ‘engraçados’. O Tomas Tomecek, um piloto do qual nunca consegui ficar à frente, não perde uma oportunidade de me aconselhar a deixar a competição. Manda mensagens a dizer que me devo dedicar a ter uma família. Dá que pensar. E ele fala a sério! É machismo, claro. Depois tens as outras situações. No Rali de Marrocos de há 2 anos, ganhei a corrida contra camiões fabulosos. E um diretor de equipa, que tinha três camiões a correr, veio dar-me os parabéns no final, fazendo questão de comentar a mensagem que tinha dito à equipa: "perderam com um camião guiado por uma mulher?", explicou.

"A educação machista que há faz com que eu nunca seja muito valorizada. Um bom resultado meu é sinal de que a corrida não presta ou que eu não tinha concorrência à altura", lamentou Elisabete.
Por Luís Miroto Simões
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