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O chocante relato de nadadora húngara: «Fui abusada sexualmente pelo meu pai. Era uma marioneta»
Liliana Szilágyi faz testemunho sobre os abusos psicológicos e físicos de que ela e a sua mãe foram vítimas durante anos
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A Liliana Szilágyi, medalhista nos europeus de natação de Glasgow (Escócia), em 2016, revelou esta quinta-feira ter sido vítima de abusos sexuais do seu pai. Através de uma longa publicação nas redes sociais, a nadadora húngara fez o relato impressionante (e chocante) de anos e anos de tortura psicológica, física e sexual que diz ter sofrido às mãos de Zoltán Szilágyi.
"Fui abusada. Depois de 25 anos estou preparada para dizer as palavras mais duras que já alguma vez disse. Depois de toda a dor e luta e, por muito que saiba que é um assunto extremamente divisivo, vou falar sobre isto porque sinto que é realmente necessário, começa por revelar, continuando: "Fui abusada. E por um homem de quem deveria ter recebido o maior amor e aceitação. Fui abusada pelo meu pai. Fisicamente. Espiritualmente. Sexualmente. Desde a infância. Constantemente e imprevisível, se estivesses de bom humor, aproveitava o exercício do seu poder sobre mim. Fosse com castigos corporais, intimidações, amor e atenção ou abuso sexual."
Para além dos abusos sexuais que sofria, Liliana revelou ainda que a sua mãe também sofria de maus tratos, relatando o horror que vivia diariamente entre quatro paredes. "Vivia dentro de uma concha onde pensava que era natural. Onde a minha mãe aparecia desmaiada à minha frente se ele não gostasse de algo que ela tivesse dito ou feito. Tal como aconteceu quando a minha mãe estava grávida de mim. Onde se eu não entregasse um bom resultado, um resultado que ele esperasse, era sempre castigada. Onde não podia ter a minha própria palavra, pensamento, opinião ou propósito", continuou.
Liliana diz ter sido "uma marioneta perfeita" nas mãos do pai. "O meu pai, que durante muitos anos teria feito qualquer coisa para me aceitar e amar-me até me aperceber que estava a viver uma perfeita ilusão. Neste mundo, eu era apenas uma ferramenta, uma marioneta perfeita. Afinal, o mundo exterior não via nada mais do que uma família amorosa, com sucesso e conquistas mundiais. Todos viram que ele nos batia em casa. Nós defendemo-lo e às suas ações, porque se não o tivéssemos feito ele teria feito coisas incalculáveis e inimagináveis como consequência. Ele podia porque lentamente diminuiu as nossas personalidades, tirando-nos a consciência e as emoções", assumiu.
Em 2016, foi o momento em que disse 'basta' e cortou relações com o pai. E hoje, cinco anos após ter terminado essa relação, assume que o seu relato poderá insuficiente para que as pessoas acreditem nas suas palavras, algo que já tem sido recorrente desde o final dos europeus.
"Foi uma longa viagem que estou agora a deixar para trás. Em 2016, depois dos Campeonatos europeus, cortei laços com o meu pai e desde aí que sou chamada de freira pública e uma rapariga estranha que nunca foi compreendida. Tenho a certeza que depois disto algumas pessoas não vão acreditar em mim e algumas vão mesmo odiar-me. O meu pai terá certamente uma resposta para isto. O meu pai é Dr. Zoltán Szilágyi, um advogado rico, bem instruído e um treinador de natação que trabalha com crianças. Que ninguém certamente acreditaria que este seria o seu verdadeiro eu entre quatro paredes", terminou.
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