"O (Des)Governo do Desporto em Portugal" é livro de reflexão de António Silva

Obra lançada na sede do Comité Olímpico de Portugal

• Foto: FPN
"O (Des)Governo do Desporto em Portugal" é um livro "crítico e de reflexão" de António José Silva, presidente da Federação Portuguesa de Natação (FPN), no qual responsabiliza o poder político, mas também o movimento associativo.

"Há muita coisa a mudar. A responsabilidade não morre solteira. Não é só dos partidos políticos e Governo, mas também de quem deste lado trabalha diariamente no desporto", sintetiza, em declarações à agência Lusa.

A obra, lançada na sede do Comité Olímpico de Portugal (COP), tem quatro partes, sendo que a segunda sai em 2023, a terceira em 2024 e a quarta em 2025.

A "alteração e adequação" do regime jurídico das federações aos "novos tempos", a implementação de "práticas de boa governança e integridade financeira", bem como a regulamentação mais cuidada das apostas desportivas são algumas das medidas preconizadas pelo dirigente para que o desporto deixe de ser "olhado com desconfiança".

O livro contempla o "olhar académico de professor catedrático e a experiência em organizações desportivas" do seu autor, que dá "ênfase à importância do desporto real", que, em seu entender, nem a sociedade nem os partidos a entendem adequadamente.

António José Silva dedica particular atenção à resposta do Estado às necessidades e especificidades do desporto em tempos de covid-19, bem como os programas e propostas dos restantes partidos na Assembleia da República.

"O problema do desporto não tem a ver com o Governo, mas com a falta de relevância política não só no Governo, que é o órgão que tem responsabilidade de legislar, mas também outros partidos na Assembleia da República que não apresentam propostas que permitam alavancar o desporto para a importância social que deveria ter", critica.

O responsável entende que "nem o Governo nem os restantes partidos fazem o seu papel de elevar o desporto na sua dimensão social", citando um conjunto de exemplos contrários e bem-sucedidos no 'Velho Continente', dentro e fora da União Europeia.

"Os próprios agentes desportivos não sabem valorizar o desporto de forma concertada e sinérgica, levando-o a uma prioridade das pessoas porque só assim é que os políticos ao olhar para o desporto, porque afeta diretamente quem vota neles. A responsabilidade é partilhada. Nossa, do sistema desportivo e dos políticos", completa.

No segundo volume, António José Silva apresentará um modelo para o desporto de Portugal para as próximas décadas ao nível estrutural, bem como uma análise dos fatores determinantes do sucesso dos países em termos desportivos.

Segundo o autor, o terceiro volume tratará de questões específicas como desporto de base, a promoção de talentos, o apoio à investigação científica, a importância dos técnicos e formação dos treinadores ou o pós-carreira, entre outros.

Finalmente, o quarto volume tem um contexto "mais pessoal", apresentando datas, factos e personalidades, "pessoas mais e menos marcantes no desporto", pouco depois de António José Silva deixar a FPN, pois em 2024 termina o terceiro e último mandato, imposto por lei.

À Lusa, garante que a presidência do Comité Olímpico de Portugal não é um desafio em que esteja a pensar -- "não é cargo que, à data, equacione sequer" -- assumindo mesmo, em tom de brincadeira, que "dificilmente alguém votará" em si, "depois da assertividade das afirmações no livro".

Por Lusa
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