Phelps, a depressão e a discussão com a mulher na quarentena: «Isto está a deixar-me louco»

Nadador admite que vive dias difíceis e diz que nunca se sentiu "tão esmagado"

Michael Phelps já tinha assumido a sua luta contra a depressão, um quadro clínico que não é em nada favorecido pela pandemia do coronavírus. O ex-nadador norte-americano assume mesmo que nunca se sentiu tão "esmagado" na vida e que toda esta incerteza o está a deixar "louco".

Num longo texto divulgado pela 'ESPN', Phelps começa por colocar as coisas em perspetiva. "Querem saber a minha verdade? Como é que eu estou? Como é que eu tenho lidado com a quarentena e com a pandemia global? Vou colocar as coisas desta maneira: ainda estou a respirar", começou por referir o antigo campeão olímpico, explicando, depois, como têm sido difíceis estes dias, sublinhando que "a pandemia é das coisas mais assustadoras pelas quais já passei".

"A pandemia tem sido um desafio para mim, como eu nunca esperei. Toda a incerteza. Estar fechado em casa. E as perguntas. Tantas. Quando é que isto vai acabar? Como é que vai ser a vida depois disto acabar? Estarei a fazer tudo para estar seguro? A minha família está em segurança? Isto está a deixar-mer louco. Estou habituado a viajar, a competir, a encontrar pessoas. Isto é uma loucura", assume Phelps.

Phelps confessa ainda que sente que tem as "emoções estão descontrolados" e que, recentemente, teve uma enorme discussão com a esposa Nicole Phelps. "Não foi bonito. Mas ao mesmo tempo sinto que consegui descarregar todas as emoções que tinha guardadas cá dentro. Por vezes isso é necessário. Foi difícil, mas hoje sinto-me bem melhor", atirou o ex-nadador, que teve momentos em que desejou ser outra pessoa:

"Vou ser honesto, mais do que uma vez já gritei, 'Não quero ser eu'. Por vezes tenho esta sensação esmagadora de que não aguento mais. Já não quero mais ser eu. Nunca me senti tão esmagado na minha vida. Há alturas em que quero ser um tipo qualquer chamado Johnny Johnson", confessou Phelps, que explica, ainda, como tenta combater os maus sentimentos que o aflgem: "Tenho de ir ao ginásio todos os dias, pelo menos, durante 90 minutos. É a primeira coisa que faço. Acordo entre as 5h15 e as 7h, sem alarme. E há dias em que não me apetece ir. Mar forço-me a ir. É pela minha saúde mental, tal como é pela minha saúde física. E se um dia falho, é um desastre. Entro numa espiral negativa na minha cabeça. Quando isso acontece, sou a única pessoa que quer acabar com isto. Geralmente não acaba depressa. Deixo a coisa andar, como que para me castigar. É o que acontece quando cometo um erro ou chateio alguém, acho sempre que a culpa é minha e descarrego em mim próprio. Quando isto acontece dia após dia, as coisas ficam assustadoras. E é assim que tem sido esta quarentena grande parte do tempo".

Por Valter Marques
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