André Pocinho: «Não vinha muito confiante»

"Entrei para os trampolins aos 17 anos, vim da vela, que pratiquei desde os seis anos", conta, confessando...

André Pocinho: «Entrei para os trampolins só aos 17 anos»
André Pocinho: «Entrei para os trampolins só aos 17 anos»
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Aos 25 anos, o professor de natação André Pocinho sagrou-se campeão da Europa de duplo-mini trampolim, uma modalidade à qual chegou "já velho", depois de ter praticado vela durante 13 anos, uma prova que se pode chegar tarde a uma modalidade.

"Entrei para os trampolins aos 17 anos, vim da vela, que pratiquei desde os seis anos", conta, confessando que ainda não se mentalizou do título conseguido este sábado em São Petersburgo, na Rússia.

O ouro europeu, impensável há oito anos, quando, "por acaso", se inscreveu num ginásio em Faro, é, diz, "a prova de que se pode chegar tarde a uma modalidade", porque "o segredo está em cada um acreditar em si e seguir os seus objetivos".

Ainda não consegue descrever bem a sensação provocada pela subida ao pódio e por ouvir o hino nacional, mas sabe bem a quem dedicar a medalha: à delegação portuguesa nos europeus, à família e aos amigos e a duas pessoas especiais.

A namorada Carolina, que, garante, "atura uma forma de vida estranha e muito preenchida", e o irmão, falecido há três anos - que o fez dedicar ainda mais aos trampolins - são essas duas pessoas.

"Após a morte do meu irmão, 'desequilibrei-me' um bocadinho. O facto de praticar uma modalidade da qual gosto muito, ajudou-me a agarrar-me às coisas boas", conta.

André Pocinho nasceu em Coimbra, já viveu em Faro, mas atualmente mora em Lisboa, onde trabalha como professor de natação.

Depois de um dia de trabalho, "a fazer muitas piscinas", seguem-se, normalmente, duas horas de treino no Lisboa Ginásio Clube, clube em que trabalha com os técnicos Carlos Nobre e Luís Nunes.

De São Petersburgo leva também a prata na prova de equipas, que a juntar ao ouro deste sábado, o obrigam a confessar que "foram superadas todas as expetativas".

"Quando cheguei à prova, não vinha muito confiante. Tenho uma pubalgia, andei a voltaren a semana toda, mas a partir do momento em que fiz a primeira série e saiu muito bem, ganhei confiança", explica.

Com vários títulos nacionais e internacionais por equipas, garante que uma das próximas metas é chegar aos Jogos Mundiais de duplo mini-trampolim do próximo ano, competição na qual Portugal já garantiu uma vaga, cujo dono ainda terá de ser apurado.

Assegura que tem boas condições para treinar, mas lamenta a existência de "poucas provas de duplo mini-trampolim em Portugal" e lembra que é "uma especialidade que dá muitas medalhas" em competições internacionais.

Quer que a medalha deste sábado , a tal que prova que nunca "é tarde para começar", se repita na sua vida desportiva, que começou na vela, se desenvolve no duplo trampolim, e ainda pode chegar ao trampolim, aparelho ao qual também se quer dedicar.

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