Aventura na Mongólia: de mais trinta a menos trinta mas ainda não congelei

São cinco e meia da tarde de segunda-feira e acabei de jantar. Já é noite, aqui no complexo militar onde estamos alojados, perto de uma vila chamada Chifeng, na província chinesa da Mongólia Interior. Lá fora estão 30 graus negativos. Isso mesmo: trinta abaixo de zero.

Cheguei aqui vinda de Pequim, onde me encontrei com os outros 20 fotógrafos, malaios, indonésios e um chinês, que participam nesta gélida sessão de reportagem. E demorei cinco horas, as mesmas que levei de Kuala Lumpur (deixo-vos também fotos das famosas torres Petrona, sede da companhia malaia de petróleo com o mesmo nome, com 88 andares, 452 metros e 58 elevadores; e também de Batu Caves, o mais importante templo hindu fora da Índia, com a imponente estátua do deus Murugan e as suas intermináveis 272 escadas, que subi!!!)  à capital chinesa, o que até nem foi demasiado, se tivermos em conta que, por exemplo, os amortecedores do autocarro (nem novo, nem velho, antes antiquado) há muito tinham deixado de servir para amortecer.

O nosso guia aproveitou, logo à chegada, para nos levar a uma loja de um compatriota chinês onde nos podíamos «abastecer» de casacos, gorros, luvas, peles várias, botas, ou seja, tudo o que é necessário para suportar as baixas temperaturas que já se sentiam e ameaçavam piorar. Dispensei as compras – estou bem equipada - e quase dispensava o jantar… Mas como tenho estômago forte…

Aconteceu todavia uma situação caricata ao jantar: estavam destinadas duas mesas para o grupo e quando me ia sentar numa delas disseram-me que aquela era mesa destinada a muçulmanos. Fiquei por isso a saber que tenho cara de muçulmana. Poderá ter sido do frio…

Frio que, no meu caso, senti ainda mais violentamente, pois vinha de uns dias passados na Malásia e na selva do Bornéu, com temperaturas acima dos 30 graus e uma humidade terrível. De mais 30 a menos 30…há apenas uma pequenina diferença de 60 graus!

O primeiro dia do raide fotográfico começou cedo: a alvorada é às cinco da manhã (e já agora, o almoço às 11 horas), quando começa a haver alguma luminosidade. Fomos fotografar os cavalos mongóis. Nós e as «excursões» de fotógrafos que se deslocam propositadamente para a pradaria gelada para registar as correrias espectaculares que os treinadores impõem aos seus corcéis. Curiosamente, no complexo militar onde estamos instalados também se treinam cavalos para as tropas, mas ainda não os vimos. Tal como, aliás, não vimos vivalma na vila, que mais parece ser uma vila fantasma, com quase tudo fechado. Dizem-nos que é por ser inverno… Imaginem, portanto, como nós nos sentimos! Amanhã o programa prossegue e a primeira coisa que nos disseram foi que ia nevar e a temperatura descer. Não se preocupem: ainda não congelei.

Autor: Isabel Paramés

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