Carlos Neves: «No Japão tive 6 pratos diferentes ao jantar»
Carlos Neves: "precisamos de ter cuidado e não abusar em coisas que nos façam mal"....
Ser-se lutador de sumo de pesos-pesados obriga a que se seja glutão e com via aberta para doces, batatas fritas e hambúrgueres? Negativo. Afinal, isto é um desporto, não uma desculpa para invadir uma loja de chocolates, como explica Carlos Neves: “Ao contrário do que se pensa, há muito cuidado com a alimentação. Temos de comer bastante, mas nem por isso os alimentos que nos fazem mal estão em cima da mesa.”
Numa visita ao Japão, onde pôde treinar-se com profissionais do sumo, Carlos contou como é o dia-a-dia daqueles atletas: “Os lutadores vivem em estábulos que lhes fornecem a alimentação. Por exemplo, de manhã treinam-se em jejum durante duas horas e só depois vem o pequeno-almoço. Aí, como estão cansados, o corpo absorve bem todos os alimentos. A outra refeição, ligeira, acontece ao meio-dia, antes do treino da tarde. À noite, aí sim, é mais completo. Lembro-me que tive 5 ou 6 pratos diferentes, mas nenhum tinha muitas gorduras. O último, por exemplo, era peixe grelhado. É assim: precisamos de ter cuidado e não abusar em coisas que nos façam mal, controlando também com exames médicos periódicos. Nunca tive problemas de saúde nem grandes lesões relacionadas com o sumo. Queremos ser grandes, mas também fortes e com agilidade para combater.”
Consciente de que não será benéfico, a longo prazo, ter o tamanho atual, Carlos Neves sublinha que isto é “só para a competição”, sendo que depois procurará um “peso normal”. Mas até quando um lutador de sumo dura? A resposta não é clara, sendo que Carlos até utilizou um exemplo prático para demonstrar que, de facto, a conversa sobre a espiritualidade é mesmo para ser levada a sério:
“Vai de cada um. Lembro-me que fui eliminado num torneio por um atleta dos EUA que tinha 52 anos.Sim, ele venceu-me, a custo, mas venceu. Tirou partido da experiência.”
Conjunto
Mas treinar sumo é só comer e empurrar adversários? Nem por isso. Os treinos querem-se sempre com alguém, pois pouco diferem da competição. Há também uma vertente de ginásio e o característico levantar de pernas antes do combate (de seu nome shiko, que chega a ser feito 300 vezes) serve como aquecimento.