Esgrima: Atiradores pagam para ir ao Mundial
A comitiva nacional é composta por seis atiradores e um treinador...
A Federação Portuguesa de Esgrima (FPE) já tinha referido em maio estar sem verbas para custear a presença de Seleções Nacionais nos grandes eventos do ano, ou seja, nos Campeonatos da Europa e do Mundo, depois dos anunciados cortes para o Alto Rendimento. Volvidos dois meses e meio, a situação não se alterou. A FPE não tem mesmo dinheiro para financiar essas participações, mas... Portugal vai estar presente. Como? Com os atletas e treinador a custear as despesas.
A comitiva para o Campeonato do Mundo de Budapeste, a disputar a partir de segunda-feira e até ao dia 12, é composta por um treinador e seis atiradores, sendo João Videira o mais credenciado. “Não acho normal ter de tirar férias do meu trabalho para ir ao Mundial, mesmo sendo eu a pagar do meu bolso a deslocação e o alojamento”, referiu à Lusa o vice-campeão do Mundo de espada em 2006, olímpico em Pequim’2008, não poupando críticas à federação por não lhe ter proporcionado qualquer competição este ano, mesmo sendo “o único atleta de nível A”.
Apesar de a situação estar longe de ser a ideal para proporcionar tranquilidade aos atletas no Mundial, Videira prometeu alcançar o melhor resultado possível, referindo que “a situação anormal” não servirá de desculpa para um eventual mau desempenho.
Para além do olímpico, a participação portuguesa no Mundial de Budapeste vai estar ainda cargo de Débora Nogueira (florete), também olímpica em Pequim’2008, Gael Santos, na mesma disciplina, e pelos espadistas João Cordeiro, Ricardo Candeias e Max Rod.
Boa vontade
Os seis atletas serão acompanhados por um único treinador, Nuno Frazão, que também pagará as suas despesas, com a ajuda dos atletas e de algumas entidades, como o Clube Atlântico de Esgrima e Câmara Municipal de Cascais. “Sem estas vontades não estaríamos nos Mundiais”, sublinhou o técnico, recordando que já no Campeonato da Europa, em junho, os atletas tiveram de suportar as despesas.
Nuno Frazão, também antigo atirador, reconhece as dificuldades por que passa o país, mas é também da opinião que esta situação não é a ideal para preparar a qualificação para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro’2016. “Não se consegue fazer um circuito mundial a custo próprio. Esperamos que haja alguma estabilidade e que sejam claras as opções do desporto nacional”, alertou.
Presidente da FPE Frederico Valarinho aguarda reforço financeiro
Frederico Valarinho volta a frisar que a federação que lidera está longe de gozar de uma boa saúde financeira. “O que foi dito em maio mantém-se atual. As verbas do contrato que tenho assinado até setembro com a tutela para o alto rendimento há muito que já foram esgotadas. Perante esta situação, não vou começar a fazer despesas que poderei vir a receber, mas que ainda não estão garantidas”, explicou a Record.
O presidente da FPE aguarda pois que o Governo avance para a concretização de promessas feitas. “As reuniões que tive com o secretário de Estado e com o IPDJ levaram-me a entender que haverá um reforço de verbas para as federações no último trimestre. Mas a verdade é que, para já, não há documentos assinados que me garantam que isso venha a acontecer.”
Ressarcido?
Caso venha então a concretizar-se a entrada de mais verbas, os atletas e técnicos que agora estão a custear as despesas vão ser ressarcidos? “Não vou fazer futurologia a esse respeito. Todos podem ter de fazer sacrifícios. Não podemos esquecer que temos outros atletas, os juniores, que também precisam de apoio. Só depois de saber ao certo quanto receberemos, é que vou fazer um plano para sabermos a quem ajudar. Por agora, a situação é apenas esta”, explicou Frederico Valarinho.