João Costa: «Enquanto trabalho eles treinam-se»
O olímpico leonino salienta a diferença com os adversários que o venceram...
O atirador português, João Costa, regressou ontem a Lisboa, depois de ter conquistado a medalha de bronze em pistola de ar comprimido a 10 metros, na Taça do Mundo realizada em Munique.
Aos 48 anos e somando já quatro presenças nos Jogos Olímpicos – foi o primeiro atirador português a conquistar um diploma olímpico (7.º), em Londres’2012 –, João Costa desembarcou no Aeroporto da Portela, orgulhoso com a sua medalha de bronze ao peito,ficando também admirado com a presença de jornalistas “Nos 20 anos que representei o Naval nunca aconteceu estarem à minha espera, nem mesmo após os Jogos”, disse João Costa para depois analisar a presença em Munique: “Fui batido por Jongoh Jin e Andrija Zlatic, atiradores que ficaram no pódio em Londres. Ambos estão a fazer uma excelente época, mas as nossas vidas são diferentes. Enquanto eu trabalho eles treinam-se”, vinca.
Tranquilo
O olímpico do Sporting reconhece que a prova de 50 metros foi mais difícil. “As condições atmosféricas eram muito más, devido à chuva. Mesmo assim fiquei em 4.º lugar. Na prova de 10 metros sinceramente não estava à espera de um bom resultado. O tempo também estava mau, mas eu estive muito calmo. Fui sem stress e a minha experiência ajudou”, salientou João Costa que se prepara, no final de junho, em Granada, para participar em mais uma prova da Taça do Mundo.
No Sporting tenho mais notoriedade
• João Costa trocou o Naval 1.º de Maio pelo Sporting. No entanto, as condições de treino mantêm-se. “No Sporting tenho mais notoriedade. Mas continuo a treinar-me sozinho em casa. Moro longe e embora o Sporting reuna todas as condições de treino, com carreira de tiro e treinadores, eu não posso deslocar-me a Lisboa. Afinal apenas mudei de clube. O treino continua igual”, confessa João Costa, olímpico em Sydney’00, Atenas’04, Pequim’08 e Londres’12.
«Sem dinheiro não há provas»
O anúncio da redução de verbas a distribuir pelas federações desportivas preocupa todos os atletas. João Costa não constitui excepção. “A redução de apoio à Federação prejudica tanto a minha pessoa como outros atiradores. Sem ovos não se podem fazer omeletes. Mas se não há dinheiro não vamos às provas”, lamenta-se o atirador português.
Militar na Base Aérea de Monte Real, João Costa, adiantou-nos, ontem, que vai mostrar a medalha aos seus colegas. “Chegando à Base vou mostrar a medalha para eles não pensarem que estiveram a trabalhar por mim, em vão”, referiu.