Luzes, pranchas, ação
Espírito aventureiro da campeã mundial de bodyboard não conhece limites
Todos a conhecem como a miúda de 22 anos que trouxe para Portugal a medalha de ouro no Mundial de bodyboard. Mas quem com ela convive há mais tempo sabe que Teresa Almeida é muito mais do que isso. A Teresa é aquela miúda que não tem medo de desafios. Seja qual for a prancha, está pronta para vencer. E tudo começou quando tinha 5 anos e os pais lhe colocaram uns esquis nos pés, numa das viagens anuais que fazem para a neve. Do esqui ao snowboard, do surf ao wakeboard ou, claro, ao bodyboard, nunca diz não a uma experiência. E se envolver ação, melhor ainda.
“Os meus pais fazem esqui. Comecei com o esqui, mas aos 13 anos experimentei snowboard e não parei mais”, explica-nos a jovem do Vimeiro, Alcobaça. Aliás, a modalidade até já lhe valeu uma medalha de prata no Roxy Snowgirls, em 2013, evento que reuniu as melhores atletas da modalidade na Serra da Estrela.
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Entre os treinos e competições de bodyboard, Teresa arranja sempre tempo. No dia 3 de janeiro segue para os Alpes, onde vai ficar três semanas juntamente com a equipa da Bataleon, que a patrocina. “Vou treinar snowboard, para evoluir ao máximo”, garante.
A vida dela é uma correria. Quando está por cá, treina bodyboard três vezes por semana com a ex-campeã nacional Catarina Sousa. “Estou há um ano com ela. É ótima treinadora, tem a experiência e isso é importante”, afirma Teresa. E é também com a sua mentora que dá aulas na escola Boogie Chicks. “Estou com um grupo das miúdas que estão a começar a competir. Adoro-as. Quando cheguei do Chile, foram receber-me ao aeroporto. Fizeram um cartaz gigante. Estavam eufóricas! É tão bom poder ser um exemplo”, acrescenta.
O último título português num Mundial tinha acontecido em 1998, Teresa tinha 5 anos. “Não posso dizer que a Dora Gomes seja uma referência, porque quando ela foi campeã eu tinha 5/6 anos. Nem sabia o que era o bodyboard. Sempre segui mais a Catarina [Sousa], a Rita [Pires].”
Desde adolescente que Teresa, licenciada em Ciências do Desporto, queria ser professora de Educação Física. Começou a fazer natação aos 5 anos, mas foi o bodyboard que, aos 13, a fez apaixonar-se. “O meu primo começou a fazer bodyboard e eu comecei mais numa de brincar. Como já fazia natação de competição, ténis e voleibol na escola, pensei que era mais um desporto. Quando me ofereceram uma prancha, ia para a Nazaré ao fim de semana. Mas comecei a levar mais a sério, inscrevi-me numa escola e aos 15 comecei a competir”, recorda a jovem. Agora, já lá vão 7 anos e muitos títulos. “No primeiro ano de esperanças, mal entrei, consegui ganhar a última etapa do circuito e fui vice-campeã nacional. Nos anos seguintes fui sempre vice-campeã. No último ano, aos 18, fui campeã e comecei também a fazer o Open”, conta. E foi este circuito principal que este ano terminou em 2.º.
Aliás, 2014 foi um ano em grande para esta jovem atleta do Clube de Desportos Alternativos da Nazaré. Teresa foi também vice-campeã europeia. E esse bom percurso já fazia antever o que viria a acontecer no Chile. Na primeira vez que foi chamada à Seleção Nacional, nos ISA World Bodyboard Championship, Teresa conquistou o ouro.
Surf
Apesar de trazer o bodyboard no coração, Teresa também se aventura de vez em quando no surf. “A primeira vez que experimentei tinha 15 anos. Quando as ondas estão muito pequenas não é tão divertido fazer bodyboard... Então comecei a levar a prancha do meu irmão para a água. Talvez por já fazer snowboard, da primeira vez que tentei, fiquei logo em pé. Atualmente, é mais por brincadeira, não penso competir no Open”, conta. Mas já participou este ano no Circuito Universitário de Bodyboard e Surf, de Peniche. Claro que no bodyboard ficou em 1.º lugar. Mas no surf também subiu ao pódio (3.ª). “Costumo surfar com amigos em Carcavelos”, diz Teresa.
Mas a jovem do Vimeiro não pára. E que desportos gostaria de fazer mais? “Kiteboard”, responde sem hesitar. E qual não faria? “Atletismo! Acho que é monótono. Sempre o mesmo percurso. Gosto de coisas com mais adrenalina, inesperadas, sempre diferentes”, confessa.
Embora passe mais tempo em Lisboa, onde recentemente frequentou o mestrado em Educação Física – que está parado para apostar no bodyboard – Teresa não esquece a praia onde tudo começou. “A minha praia é e será sempre a praia do Norte. Foi lá que aprendi a surfar. É a melhor que temos em Portugal. Muitos dos meus resultados devem-se ao facto de ter começado lá. Dá-te uma escola incrível para surfar em qualquer onda do Mundo. É uma onda com imensa força”, avança.
Mas e quanto a ondas grandes? “Não é algo que me atraia muito. Metem medo e tem de se estar bem preparado. E no bodyboard é impossível, a nossa prancha não está preparada. Mas gosto de ondas grandes surfáveis a remada. Gosto dessa sensação”, conclui. É a adrenalina, Teresa!