Natação: Maria Carlos Santos inicia carreira fora de água

Adicione como fonte preferencial no Google

Durante mais de 13 anos sentiu-se como um peixe na água. Em Novembro do ano passado, nos Campeonatos Nacionais de Natação, em Lisboa, despediu-se das piscinas ao som das palmas de mais de mil espectadores. Agora em terra firme, Maria Carlos Santos, considerada a nadadora portuguesa mais completa de sempre, está preocupada em ordenar o território. Nesse sentido, parte hoje para o Lubango (Angola) onde vai ajudar a reconstruir a cidade.

“Estava nas Canárias a fazer um estágio para Atlanta. A piscina era ao ar livre e estava a nadar de costas. Nadava, nadava e via as nuvens a andarem depressa e foi aí que o bichinho despertou”, recorda a antiga nadadora, de 25 anos, licenciada em Geografia Física e Ordenamento do Território.

Maria Carlos Santos está desde o Verão 2002 a colaborar com a Companhia Nacional de Serviços, responsável pelo projecto no Lubango. “Estamos a elaborar o equivalente ao nosso Plano Director Municipal. É um grande desafio estabelecer as regras de ocupação e transformação do solo.”

Com um olhar sereno e um sorriso largo, Micá, como é conhecida no mundo da natação, considera que se retirou da alta competição na hora certa. “Entendi que esta era a altura. Houve o tempo da natação, agora é o do trabalho. Nadei bruços, mariposa, costas e livre, fui a Mundiais, Europeus e aos Jogos [Atlanta]. Fiz tudo. Neste momento o que me dá mais gozo fazer está ligado à geografia”.

E termina: “Vou gostar sempre de nadar. Espero um dia vir a trabalhar com os mais pequenos ao nível da formação.”

Projecto olímpico inexistente

Em ano de Jogos Olímpicos é inevitável não se falar da participação lusa. Para Maria Carlos Santos as medalhas só aparecem se houver condições. “No atletismo, na vela ou no judo quando se ganha uma medalha os atletas são os maiores. Pode haver muitas mais. É preciso dar condições a todos os níveis aos atletas para treinarem sem terem de faltar à escola. Há que mudar drasticamente. E não são quatro ou oito anos antes.“

“Na natação não sabemos o que é entrar numa piscina com 12 mil pessoas a vibrarem com o nosso desporto. Sentimo-nos pequeninos e deslumbrados. Não temos preparação, uma psicóloga que nos ensine a enfrentar as situações. Em Atlanta existiu uns meses antes e não é assim.

Marginalização e falta de infra-estruturas

Maria Carlos Santos sai da alta competição, mas não esquece as dificuldades com que se deparou. “É preciso investir para que os atletas possam treinar. Em Portugal, quantas piscinas olímpicas existem? Se calhar, mais de 50 por cento concentram-se na área metropolitana de Lisboa. E o Norte é esquecido? E o interior? No Inverno é possível treinar? Não, não é. Não se justifica que se façam dez estádios e que em ano de Jogos Olímpicos não tenha havido investimento nas modalidades. Temosbons atletas com capacidade para irem aos Jogos Olímpicos e representarem o país em campeonatos de grande dimensão.”

E termina: “Em Atlanta, nos Jogos onde estive, a selecção de futebol teve a proeza de estar presente. Houve discriminação nas bolsas atribuídas aos futebolistas e aos atletas. Nós sabemos e comenta-se . São olímpicos, então todos têm de receber o mesmo. Ponto final.”

Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
Newsletters RecordReceba gratuitamente no seu email a Newsletter Geral ver exemplo
Ultimas de Outras Notícias
Notícias Mais Vistas