Patinagem artística: Segredo está na paixão
Portugal recebeu na semana passada o Campeonato da Europa de patinagem artística de juniores e seniores, onde conquistou um total de 18 medalhas...
Portugal recebeu na semana passada o Campeonato da Europa de patinagem artística de juniores e seniores, onde conquistou um total de 18 medalhas. E se é verdade que nos últimos anos os atletas nacionais têm marcado sempre presença no pódio das grandes competições internacionais – somos considerados dos países mais fortes na modalidade –, também é facto que desta vez as medalhas superaram o esperado, muito por causa do solo dance, disciplina que não costuma integrar esta competição.
“Grande parte das medalhas já prevíamos, Portugal é uma das potências a nível europeu e mundial, mas este ano o solo dance também ajudou muito. Esta prova era realizada apenas na Taça da Europa e no Campeonato do Mundo e este ano foi inserida a nível experimental. É uma forma de valorizar o solo dance, que é a disciplina que chama mais pessoas”, explicou a Record Cristina Claro, técnica nacional para as livres.
Só em solo dance, Portugal obteve oito medalhas, três das quais de ouro. “Fazemos um balanço muito positivo deste Europeu. A nossa Seleção mostrou ter bastantes jovens atletas que ainda têm muito para darqe que vão ter carreiras gratificantes”, considerou Cristina Claro, que há 15 anos deixou a patinagem como atleta para se dedicar à modalidade como treinadora.
Com o pavilhão de Porto Salvo lotado durante todos os dias da competição, Diana Ribeiro, a mais velha dos atletas nacionais em prova, sagrou-se, pela segunda vez na carreira, campeã europeia de combinado. “Como esta é uma modalidade amadora, quem está na patinagem artística dedica-se de corpo e alma. Temos todos uma enorme paixão e esse é o segredo”, conta Diana que em Porto Salvo cumpriu o seu 17.º Campeonato da Europa.
No caso da campeã europeia de combinado e medalha de bronze nas livres, a patinagem surgiu quase como por imposição da mãe. “O gosto pela modalidade vem da minha mãe, que nunca teve uns patins e que por isso dizia que se um dia tivesse uma filha ela seria patinadora”, recorda Diana Ribeiro, que diz sentir cada vez mais a pressão: “A responsabilidade aumenta, as expectativas que criam à nossa volta são maiores”, justifica.
Dúvidas para o Mundial em novembro
• Este ano, Portugal irá ainda disputar a Taça da Europa, a 14 de outubro, e o Campeonato do Mundo, em novembro. E se já está decidido que para a primeira competição a Seleção Nacional irá participar apenas com os jovens valores dos 10 aos 16 anos (dos infantis aos juvenis), para o Mundial ainda nada está decido.
No entanto, Diana Ribeiro espera que os resultados agora alcançados no Campeonato da Europa, realizado no nosso país, sejam motivadores. “Gostaria muito de estar no Mundial”, confessa, ficando à espera da convocatória.
Entrega e métodos de trabalho fazem a diferença rumo ao êxito
Para o Europeu, Diana Ribeiro treinou-se diariamente durante duas horas. Aos 29 anos, a medalha de ouro de combinado e bronze em livres é a mais velha da Seleção Nacional, já trabalha e, por isso, o tempo de treino é diferente da dos seus colegas. “Normalmente faço duas horas, quatro vezes por semana. Torna-se mais difícil conciliar o trabalho com a patinagem, mas para este campeonato a entrega foi diária. As medalhas são o resultado de uma preparação, que me correu muito bem”, afirmou Diana Ribeiro.
De há 10 anos para cá, a modalidade cresceu bastante no nosso país. Há mais atletas a praticar patinagem artística e os métodos de trabalho também evoluíram. “Creio que neste momento os clubes seguem as indicações do corpo técnico da federação. Tem-se aperfeiçoado o método de trabalho”, explica Cristina Claro, técnica nacional para as livres, que em criança deixou a natação para seguir a patinagem, modalidade pela qual se apaixonou... à primeira vista.