Snooker: O'Sulivan renasce das cinzas

Enriquecendo o currículo com títulos ano após ano, o craque atingiu o topo...

Snooker: O'Sulivan renasce das cinzas
Snooker: O'Sulivan renasce das cinzas • Foto: GETTY IMAGES
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Uma verdadeira montanha russa! Assim se descreve a vida de Ronnie O’Sullivan, tal a tremenda apetência para altos e baixos. Desde o mediatismo que ser o melhor jogador de snooker do Mundo, até chegar às drogas, à depressão e a uma espécie de “retiro espiritual”, o inglês já passou por muito.

A história do britânico, que na segunda-feira somou o seu 5.º título mundial - o segundo consecutivo, algo que ninguém conseguia, desde Stephen Hendry, há 17 anos - começou a escrever-se bem cedo, tendo alcançado a primeira centena de pontos com apenas 10 anos (!), antes de conseguir o primeiro break máximo – série de colocação consecutiva de bolas nos buracos da mesa, sendo que o mais alto é de 147 –, aos 15. No ano seguinte, as suas potencialidades foram confirmadas com a assinatura do contrato profissional. Conhecido pelo estilo de jogo bastante rápido, que lhe valeu o alcunha de “The Rocket” (o foguete), O’Sullivan inscreveu o nome nos livros da modalidade em 1993, ao tornar-se no jogador mais jovem a vencer o campeonato britânico – aos 17 anos. Estava dado o tiro de partida para uma carreira bem sucedida.

Enriquecendo o currículo com títulos ano após ano, o craque atingiu o topo. Na época passada, venceu o Campeonato Mundial pela quarta vez, para depois... se retirar. A atravessar um momento delicado, Ronnie decidiu fazer uma pausa na carreira. “Ele precisa de resolver alguns problemas pessoais, pois não consegue concentrar-se no snooker”, revelou o seu empresário, Django Fung.

Contudo, após 10 meses de reflexão num “exílio autoimposto”, o campeão está de volta, o que constituiu “uma notícia fantástica para o desporto”, segundo Barry Hearn, presidente da “World Snooker”. Já O’Sullivan, explicou o motivo do reatamento da carreira: “Cheguei à conclusão de que tinha de sair de casa e voltar a ter algum objetivo”. E a verdade é que o britânico não poderia ter regressado melhor: no Crucible Theatre, a "Meca" do snooker, O'Sullivan bateu o recorde de tacadas de 100 pontos numa final, com seis.

Polémico

Apesar de lhe ser reconhecido um talento só ao alcance dos predestinados, que lhe tem permitido alcançar êxitos estrondosos, O’Sullivan é também bastante propício a polémicas. Além das suas relações “pouco açucaradas” com os media, o craque não tem semeado simpatia junto dos adversários. Sendo o único jogador no ranking profissional que consegue jogar de igual forma com a mão direita e com a mão esquerda, por vezes beneficia dessa polivalência e alterna entre as duas na mesma jogada. Quando o fez pela primeira vez, o adversário, Alain Robidoux, acusou-o de desrespeito. Mas a resposta não tardou. “Jogo melhor com a esquerda do que tu com a direita”, provocou O’Sullivan.

Problemas

Além do temperamento muito particular, que por vezes lhe cria alguns problemas, o inglês não tem sido um poço de sorte a nível pessoal. Depois de lhe ser encontrada marijuana num teste de controlo de drogas em 1996 – que lhe retirou título Benson & Hedges Irish Master, ganho contra Ken Doherty – O’Sullivan convive diariamente com a detenção do seu pai – cumpre prisão perpétua por homicídio. Várias dificuldades que o mergulharam numa profunda depressão.

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