Taekwondo: Convocatória para o pré-olímpico causa indignação

Rui Bragança (-58 kg) e Mário Silva (-68 kg) são os únicos atletas a explorar as vagas na prova que vai decorrer em Kazan...

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A convocatória de apenas dois atletas masculinos para tentar o apuramento para os Jogos Olímpicos Londres'2012 motivou um Natal agitado no taekwondo, com as competidoras femininas e alguns treinadores insurgidos contra a federação, que alega "critérios objetivos".

"A Federação convocou dois atletas masculinos e nenhum feminino. E não pode ser por falta de dinheiro, pois vão cinco acompanhantes: dois treinadores, um fisioterapeuta, um dirigente e uma lebre, que nem sei bem o que é. Estão a passar uma má mensagem para a modalidade, mostrando que não contam com as mulheres", disse à Lusa Mariana Dias.

A atleta de 34 anos, primeira internacional feminina portuguesa, diz que "os critérios de seleção foram revelados tardiamente" e sublinha que "as atletas interessadas tiveram de pagar as competições do próprio bolso".

"E não podem dizer que não temos valor. Por exemplo, na prova da Sérvia fui quinta, enquanto a Ana Coelho foi segunda. E a Carina Reis foi recentemente campeã europeia universitária. Temos mulheres com valor", vincou.

Rui Bragança (-58 kg) e Mário Silva (-68 kg) são os únicos atletas a explorar as vagas na prova que vai decorrer em Kazan, na Rússia, de 27 a 30 de janeiro, e para a qual a convocatória foi conhecida a 22 de dezembro.

"A seleção está feita e, vergonhosamente, não temos representantes femininas. Um atestado de incompetência que reflete a realidade do taekwondo nacional. Lamento sinceramente o atestado de incompetência que passaram a todas as atletas nacionais com capacidade para representar as nossas cores. Francamente vergonhoso", lamenta o treinador Mário Trigo, em declaração na rede social facebook, em debate entre agentes da modalidade.

José Luís Sousa, presidente da federação, desvalorizou a situação, afirmando que "foram criadas regras tendo em vista o apuramento olímpico, sendo que apenas dois atletas atingiram o conjunto de pontos necessários".

"Agora não posso concordar com opiniões mal informadas. Há regras. E todos as sabiam desde início. Simplesmente, as atletas femininas não tiveram pontuação. Levámos algumas a provas internacionais e não ganharam um único combate. Tão simples quanto isso", acrescentou.

Aos insatisfeitos, o dirigente lembrou que, face aos resultados obtidos, a federação "não vai gastar dinheiros públicos em atletas que não têm possibilidades desportivas para o apuramento".

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