Desta vez não Sacou

Adicione como fonte preferencial no Google

"Vamos todos dar um abraço de solidariedade ao Saca", apelava o speaker da prova enquanto Tiago Pires vinha na espuma em direção à praia. A praia estava em silêncio, ainda chocada pela eliminação do ídolo face a Nathaniel Curran em ondas fracas a rondar o metro. Depois da reformulação do formato da prova, não havia repescagem. Ainda na água, Tiago cruza os braços num gesto de raiva, à "Zé Povinho", bem característico no surfista da Ericeira.

O primeiro surfista português da história a classificar-se para o WCT saiu da água claramente indignado, aplaudiu o palanque da organização e colocou o indicador sobre os lábios a mandar calar alguém.

Depois, saiu quase a correr da praia na companhia do técnico, "manager", e amigo, José Seabra, que apenas soltou para o ar um "isto é incrível". Momentos antes, a organização tinha anunciado a interrupção da prova até ao início da tarde.

A primeira interpretação sobre o sucedido veio de Marlon Lipke, surfista algarvio que representa a Alemanha: "Ridículo fazer a competição neste formato sem ondas. Estiveram 10 minutos à espera de ondas. Não consigo acreditar no que fizeram com o Tiago. Não consigo acreditar, é ridículo."

A reportagem de Record tentou chegar à fala com Tiago Pires, mas em vão. José Seabra falou pelo pupilo e amigo de longa data. Acerca dos gestos de Tiago após a derrota, José Seabra minimizou: "Sinceramente não vi, mas contaram-me. Foi no calor do momento,  muitas emoções."

Mas, independentemente da forma escolhida para exteriorizar os sentimentos, a questão obrigatória era saber se, na opinião da equipa de Pires, a indignação era justa. Ou seja, a organização decidiu bem ao arrancar a prova naquela altura?   

Seabra responde diplomaticamente: "É normal. O mar estava pequeno e as condições não eram, de facto, as melhores. Mas a verdade é que o Tiago não apresentou o seu melhor surf. Depois, teve azar na escolha das ondas e isso foi determinante. Não podemos culpar a organização."

A eliminação de Tiago Pires traduz-se na classificação desta prova num 33º lugar mas, sobretudo, nas palavras de José Seabra, num "golpe" para o seu "ranking" no Circuito Mundial, lista na qual Tiago ocupa o 23º posto : "É um golpe. Não é a morte mas é um golpe. Ainda falta uma etapa, no Havai, mas será complicado." O técnico diz que há muitas "contas a fazer" mas que ainda antes do Havai (Pipe Masters, em Dezembro), há que lidar com a frustração: "Depois de uma derrota ele queria era competir."

Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
Newsletters RecordReceba gratuitamente no seu email a Newsletter Geral ver exemplo
Ultimas de Rip Curl Search Pro Notícias
Notícias Mais Vistas