Surf: "Saca" sonha com uma final
O português Tiago Pires, embora admita que ainda lhe falta atingir uma final no Circuito Mundial ASP, disse hoje que a obtenção desse objectivo no Rip Curl Pro Search em Portugal concretizaria a "história perfeita".
"Falta-me uma final, acho que chegar a uma final seria uma boa aposta. Não tenho preferência, qualquer uma das provas me serviria. Acho que todas elas têm um encanto especial, um sabor diferente, mas todas são muito boas, muito mediáticas. É claro que Portugal seria sempre a história ideal, a história perfeita", disse hoje "Saca", em entrevista à agência Lusa.
Na véspera do início do período de espera da oitava passagem do Circuito Mundial masculino por Portugal, que vai prolongar-se até 30 de Outubro, Tiago Pires, 23.º do "ranking", reconhece algum incentivo extra por "jogar em casa".
"Supertubos é uma praia que eu conheço bastante, o campeonato pode andar de um lado para o outro. Não é seguro que se realize em Supertubos, depende das condições do mar. Mas estou a competir em casa, vou ter muito apoio na praia e vou tentar lidar com isso da melhor forma possível, porque tudo o resto vai ser igual, vai ser mais uma prova para mim", disse o surfista nacional.
Depois de ter terminado 2008 em 31.º, Tiago Pires manifestou-se satisfeito com a "consistência" que apresentou nas oito etapas já disputadas, tendo perdido poucas na primeira eliminatória, mas com vontade de subir no "ranking".
"Não estou numa fase em que os números sejam muito importantes, estou a competir com os melhores do Mundo e é apenas o meu segundo ano. Seria bom acabar dentro do top-20, que seria uma posição bastante consolidada. Não estou muito longe, por isso há que apostar forte agora, aproveitar ter uma prova em casa e que a última vai ser no Havai, que é uma onda que eu gosto bastante. Por isso, está tudo em aberto", sublinhou.
Para o surfista luso, todos os adversários do Circuito Mundial "são ossos duros de roer", destacando as dificuldades em enfrentar o norte-americano Kelly Slater, nove vezes campeão do Mundo e sexto no "ranking" actual, e os australianos Mick Fanning, líder, e Joel Parkinson, segundo classificado.
"No meu caso, até podia dizer o contrário, porque sempre que compito com surfistas do top-5 sinto-me mais focado, mais à vontade e acabo por ter sempre melhores prestações, com algumas vitórias, às vezes", frisou, acrescentando que muitas vezes as vitórias ficam a dever-se a "quem está melhor psicologicamente, não só tecnicamente".
Sonhador
Sem arriscar um favorito para o título Mundial, por "não ser mágico, nem conseguir prever o futuro", Tiago Pires aponta Fanning, Parkinson e Slater como os principais favoritos. "Os dois primeiros, porque têm mais pontos neste momento e o Kelly por ser um surfista tão experiente, que pode ganhar qualquer prova. Se, realmente, puser a cabeça dele a funcionar pode, perfeitamente, ganhar aqui, no Havai e ainda levar o título, mas as contas são complicadas e dependem dos resultados dos outros", explicou.
Com 3 376 pontos, Tiago Pires está fora da luta pelo título, mas não esconde a ambição para os próximos anos: "Sou uma pessoa muito competitiva e um sonhador. Gosto de pôr os meus objectivos altos e penso mesmo em ser campeão do Mundo, porque acho que isso não fere ninguém."
Apesar de calendarizado para 12 dias, o Rip Curl Pro Search requer apenas quatro dias efectivos de prova, seguindo o modelo competitivo tradicional, com etapa de repescagem. Além de Supertubos, a organização da única etapa "dinƒmica" do circuito tem estrutura montada, em alternativa, na praia do Lagido e dispõe ainda de um camião de apoio para, em caso de o mar não ter condições para a prova, procurar outro destino a Norte do Baleal.