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Melhores do Mundo recebem carinho português em Cascais: «Modalidade está a crescer bastante por todo o lado»
Para Portugal dar o passo seguinte na modalidade e ter mais jogadores dentro da elite, Ana Catarina Nogueira entende que é preciso "começar pela base", com maior apostas nas escolas de formação.
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Os melhores jogadores de padel do mundo estão em Cascais, a disputar o torneio de categoria Open, no qual o carinho do público luso é um fator diferencial para os atletas portugueses e para os de renome internacional.
A realizar-se nos jardins do Casino Estoril e com a praia a um 'saltinho', a localização é atrativa para jogadores e adeptos, que praticamente lotaram o recinto nos derradeiros dias da competição, reservados para as rondas que decidirão os vencedores, sendo que o 'court' central tem capacidade para 2.800 espetadores, enquanto os dois campos secundários albergam 300 adeptos, o que perfaz um total de 3.100 pessoas. "É muito bom jogar aqui. O tempo está espetacular e jogar à frente do mítico casino e da praia cria um grande ambiente. Desfrutamos bastante sempre que vimos aqui a Cascais", começou por afirmar à Lusa Francisco Navarro, quarto do ranking mundial.
Fazendo dupla com o argentino Martín Di Nenno e chegando aos quartos-de-final do torneio, 'Paquito', como é conhecido, falou do carinho que recebe aqui em Portugal. "Sinto muito carinho por parte de Portugal. Temos uma conexão até porque, em 2018, parti um vidro e todo o carinho que recebi do público e da organização foi impecável. Recebi muitas mensagens dos fãs portugueses, fico feliz por eles me quererem ver e por estar aqui a desfrutar com eles", recordou.
O padel é um dos desportos com maior crescimento nos últimos anos, a nível global, o que leva 'Paquito' Navarro a considerar "incrível" poder assistir a essa evolução. "Em Espanha, quando era pequeno, lembro-me que tinha de explicar a toda a gente o que era o padel. Atualmente, é o segundo desporto mais praticado e a expansão que está a ter internacionalmente é uma loucura", expressou o atleta, que tem 33 anos.
Da mesma opinião partilha o argentino Daniel Gutiérrez, que está nas meias-finais ao lado do compatriota Agustín Tapia, ao abordar o ambiente do Cascais Open Padel 2022, depois de uma edição anterior (2021) em que não passou do primeiro encontro. "É uma prova de que gosto muito, estar a jogar aqui é espetacular. As pessoas entendem cada vez mais de padel e isso também é bonito. Estou a desfrutar, é seguir a ganhar e aguentar ao máximo nesta bela cidade", sublinhou o sexto classificado da hierarquia.
Sem grandes expectativas para um torneio ao ar livre, que pode depender de fatores como o sol e o vento, 'Sanyo' Gutiérrez crê que, nestes casos, "cada jogo é uma final" e imagina que, em Portugal, a modalidade tem crescido como em todo o lado, de forma a expandir a diversidade da elite, onde domina Espanha, Argentina e Brasil, sobretudo. "Está a crescer bastante por todo o lado. Portugal é um dos países que já aposta neste desporto há anos e imagino que a cada dia estará mais forte. Oxalá que, dentro de uns anos, tenha um grande nível", apontou o jogador sul-americano, de 38 anos.
Do lado feminino, Ana Catarina Nogueira foi uma das quatro representantes nacionais no quadro principal, tendo perdido na primeira ronda, ao lado da castelhana Marina Martínez, enquanto Sofia Araújo, 19.ª no 'ranking' WPT, alcançou os oitavos de final. "Senti muito apoio do público presente, que aderiu bastante. É incrível essa sensação. Só há um torneio por ano em Portugal e é fantástico jogar com o apoio do público", disse à Lusa Ana Catarina Nogueira, que ocupa a 31.ª posição da hierarquia mundial.
Sabendo à partida que o sorteio "não foi muito fácil", a atleta fez um balanço positivo do torneio, que lhe pareceu "muito bem montado" e onde se nota, "ano após ano, o crescimento existente a nível de público e de fãs de padel, que já percebem o jogo". "É importante um torneio destes ser realizado em Portugal, também no aspeto mais económico e de imagem. Um torneio deste calibre ajuda ainda mais no crescimento e numa vertente mais competitiva", considerou a atleta portuense, de 43 anos de idade.
Para Portugal dar o passo seguinte na modalidade e ter mais jogadores dentro da elite, Ana Catarina Nogueira entende que é preciso "começar pela base", com maior apostas nas escolas de formação. "Levamos alguns anos de atraso para outros países, mas para colmatar isso necessitamos de mais tempo para que apareçam mais jogadores", frisou.