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Padel: Moda que veio para ficar
Alta taxa de retenção deve-se à facilidade na aprendizagem e ao forte caráter social...
Se, por alguma razão sobrenatural, ténis e squash tivessem um filho, esse filho só poderia chamar-se padel. Inspirando-se em algumas características das outras duas, esta modalidade de raqueta começa a traçar o seu próprio caminho, granjeando cada vez mais praticantes em Portugal. Por se jogar apenas a pares, num espaço reduzido, apresenta uma forte componente social que contribui para que esteja a virar moda. Quem joga garante que veio para ficar.
Do ténis, herdou a pontuação; do squash, os vidros que delimitam o campo (10 metros de largura por 20 de comprimento) e permitem a diversidade de ângulos que lhe confere uma grande dinâmica e complexidade estratégica, tornando tudo mais divertido. “O padel joga-se muito mais em toque do que em força. E o vidro faz toda a diferença”, conta João Bastos, um dos mais cotados jogadores portugueses, que, quando não está a competir, gere a academia Top-padel, no Porto.
Portugal já é o segundo país europeu com mais jogadores de padel, apenas atrás de Espanha, onde a moda já se converteu numa religião seguida por milhões. “Estimo que haja cerca de 12 mil praticantes no nosso país, a esmagadora maioria dos quais em Lisboa”, atesta Ricardo Oliveira, presidente da Federação Portuguesa de Padel (FPP).O “enorme crescimento” registado nos últimos anos levou à criação deste organismo, em 2012. “Há quatro anos havia dez campos no país. Hoje em dia há perto de 200”, relata.
O exemplo de João Bastos é revelador. No ano passado, juntamente com dois sócios, abriu o primeiro clube no Porto. “Sabíamos que havia interesse, mas não esperávamos que a moda pegasse. Foi uma aposta de risco”, recorda. Ao fim de alguns meses, estava quase sempre lotado. Por isso, em abril deste ano, decidiram expandir-se para uma segunda localização. “Como negócio, é fantástico. No espaço de um campo de ténis cabem três de padel”, corrobora Ricardo Oliveira.
Longevidade
De acordo com o líder da FPP, o padel pode jogar-se “dos 8 aos 80 anos”. Apesar de ser exigente fisicamente, sobretudo quando jogado a um nível competitivo, este desporto permite uma grande longevidade. A dupla que lidera o ranking mundial, por exemplo, é composta por um elemento de 34 anos (Fernando Belasteguín) e outro de 38 (Juan Martín Díaz). A facilidade na aprendizagem é outro fator a ter em conta. “É fácil de jogar. As pessoas pegam na raqueta pela primeira vez e entusiasmam-se”, afirma Ricardo. “Ao fim de quatro ou cinco vezes, sente-se logo evolução. Isso torna o jogo viciante”, confirma João. O resultado é uma elevada “taxa de retenção” – a maioria dos estreantes faz questão de repetir.
Febre espanhola já ultrapassou o ténis
• Desde que o ex-primeiro-ministro espanhol, José María Aznar, surgiu por diversas vezes em público a jogar padel, a modalidade não mais parou de crescer no país vizinho. Estima-se que o número de praticantes ronde os 4 milhões, superando o número de jogadores de ténis. Por ano, vendem-se cerca de 400 mil raquetas de ténis em Espanha, contra 900 mil de padel. Futebolistas como Ronaldo, Messi e o portista Tello também já se renderam.
Circuito mundial passa por Lisboa
O Lisboa Racket Centre vai receber, pelo segundo ano consecutivo, uma prova do World Padel Tour. Entre 30 de setembro e 5 de outubro, os melhores jogadores do Mundo passarão pela capital para a 9.º etapa do circuito mundial.
Nesta edição, a FPP negociou a inédita possibilidade de quatro duplas portuguesas disputarem uma ronda especial de acesso ao quadro principal, evitando as sempre complicadas fases de qualificação.
Duas federações lutam pela tutela
Oficialmente, a tutela da modalidade está entregue à Federação Portuguesa de Ténis (FPT), presidida por Vasco Costa. No entanto, a grande maioria das provas é organizada pela Federação Portuguesa de Padel (FPP), liderada por Ricardo Oliveira, que reclama para si essa responsabilidade, procurando merecer o Estatuto de Utilidade Pública. Este diferendo, que ameaça resolver-se apenas nos tribunais, tem-se intrometido no desenvolvimento deste desporto no nosso país.
APRENDER A JOGAR EM 6 PASSOS
- Serviço
No padel, o serviço é feito por baixo. O embate na bola dá-se obrigatoriamente abaixo da cintura. Esta tem de bater no chão, atrás da linha de fundo, antes de ser golpeada para o quadrado de serviço do outro lado do campo. “O mais importante no serviço não é a força, mas sim a colocação”, explica João Bastos, professor da modalidade. Caso falhe, o jogador tem direito ao segundo serviço.
- Direita
Num jogo em que o objetivo passa por ganhar a rede, a direita insere-se no leque de pancadas mais defensivas. O objetivo primordial passa por aguentar a bola em campo o maior tempo possível até os papéis se inverterem ou o adversário cometer um erro que o faça perder o ponto. “Os jogadores devem evitar utilizar efeitos. O ideal é baterem a bola chapada”, aconselha o treinador.
- Esquerda
Os princípios da direita também se aplicam à esquerda. “O gesto é muito mais curto do que no ténis”, indica João Bastos. Convém referir que qualquer uma destas pancadas do fundo do campo pode ser batida depois de a bola embater no vidro, o que exige maior elasticidade aos jogadores. No início, as paredes podem atrapalhar. Com o tempo, acabam por se transformar numa vantagem.
- Vólei
O vólei tanto pode ser executado de direita como de esquerda e já é uma pancada de ataque. “É com ela que se definem a maioria dos pontos”, assinala o responsável pelo Top-padel, onde exemplificou os diversos gestos técnicos. Aqui, interessa disparar bolas fundas, de preferência com pouco ressalto. O vólei é proibido na resposta ao serviço, no qual a bola tem de bater no chão.
- Smash
O smash é uma pancada que serve, normalmente, para finalizar os pontos, quando a bola chega ao nosso lado do campo com uma altura considerável. “A colocação é muito importante”, afirma João Bastos. Neste caso, é possível jogar com os ângulos, de forma a retirar a bola da caixa de jogo. Quando isso acontece, o adversário pode sair de campo para bater na bola. Se não conseguir colocá-la do lado contrário, perde o ponto.
- Bandeja
Entre o vólei e o smash está a bandeja. “É uma espécie de vólei alto, que deve ser batido à altura dos ombros”, explica o jogador da Team FPP. Trata-se de um golpe de contenção, utilizado sobretudo quando os jogadores pretendem evitar perder a rede. É desferido com menos força do que o smash, de forma a que bola não levante tanto quando embater no outro lado do campo.