A única vitória de Portugal sobre a Itália, em 1973, "foi um acontecimento que marcou aquela época" do râguebi nacional, disse esta sexta-feira Gaspar Ramos, antigo internacional português que foi titular nesse histórico encontro com os transalpinos.
Em declarações à agência Lusa, o antigo jogador de râguebi do Benfica, que foi também vice-presidente do clube entre 1994 e 1997, admitiu que esse desafio, disputado em Coimbra, foi "um jogo inesquecível", até porque "os italianos eram bem melhores do que nós". "Foi um jogo em que ultrapassámos todos os limites. Fizemos das tripas coração. Com uma preparação muito adequada, que passava por ter uma boa condição física para contrariar a mais-valia dos italianos e conseguimos. Acabámos por ganhar bem e esse foi um acontecimento que marcou a época", recordou.
A superioridade dos italianos, lembrou o antigo internacional português, assentava num "trabalho de integração de jogadores do norte da Europa, sobretudo escoceses", no qual os italianos "investiram muito e estão atualmente a colher os frutos". Ramos foi titular "na posição de asa na terceira linha", composta ainda por Nuno Lynce e Gonçalo Ávila, segundo recortes da imprensa dessa época, divulgados esta semana pela Federação Portuguesa de Râguebi (FPR).
Os azzurri venciam por 6-0 ao intervalo, com uma penalidade de Caluzzi e um pontapé de ressalto de Lazzarini, mas os portugueses deram a volta ao marcador na segunda parte, com um ensaio de Rafachinho, transformado por Nuno Lynce, que assinaria também a penalidade que selou o triunfo português.
Nessa época, o ensaio valia apenas quatro pontos (só passou a contar cinco pontos em 1992), enquanto a sua transformação contabilizava dois pontos e as penalidades valiam três, tal como atualmente.
Todos os jogadores ainda vivos dessa equipa, que "felizmente são a maioria", vão estar hoje presentes no Estádio do Restelo para serem alvo de uma homenagem da FPR, à margem do encontro com os italianos, mas Gaspar Ramos garante que "iria sempre assistir ao jogo", mesmo que não tivesse sido convidado. "Continuo a acompanhar o râguebi e vejo os jogos da seleção e do Benfica sempre que posso", justificou.
Por isso, questionado pela Lusa sobre as hipóteses da atual geração voltar a somar uma vitória sobre os 'azzurri', Ramos frisou que isso "é muito difícil", mas lembrou que "no desporto, às vezes, existem 'milagres' e no râguebi já têm acontecido alguns". "Temos hoje uma equipa bem melhor porque tem tido a possibilidade de utilizar os lusodescendentes, de França, que lhe trouxeram maior qualidade. Mas a Itália tem um nível competitivo que nós não temos e isso, por si só, justifica a dificuldade. Mas, é claro, os 'milagres' são sempre possíveis", analisou.
As seleções de râguebi de Portugal e Itália defrontam-se no sábado, no Estádio do Restelo (17:00), pela primeira vez desde 19 de setembro de 2007, data em que Portugal perdeu por 31-5, em Paris, em encontro da 3.ª jornada do Grupo C do Mundial de França.
As duas seleções têm um histórico de 12 confrontos oficiais, nos quais a seleção portuguesa conseguiu apenas uma vitória, por 9-6, em março de 1973, num encontro disputado em Coimbra, e um inusitado empate 0-0, em Pádua, em fevereiro do ano anterior.
De resto, Portugal perdeu todos os restantes encontros frente aos azzurri, incluindo um desaire por 83-0 em L'Áquila, menos de um ano antes de as duas seleções se defrontarem no França2007 e que constitui uma das derrotas mais pesadas de sempre dos 'lobos'.
O encontro de sábado tem ainda a particularidade de ser o primeiro na história do râguebi masculino a ser dirigido por uma equipa de arbitragem totalmente composta por mulheres e liderada pela escocesa Hollie Davidson.
Por Lusa