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Selecionador de râguebi lamenta não ter acesso total a jogadores do campeonato

Simon Mannix reage ao sorteio do Austrália'2027 e demonstra otimismo
• Foto: Paulo Calado

O selecionador de râguebi de Portugal, Simon Mannix, lamentou hoje não ter acesso total aos jogadores do campeonato português para os Lusitanos XV e advertiu que essa é a única forma de acompanhar a evolução dos adversários.

Em entrevista à agência Lusa, dias após a conquista do Rugby Europe Championship 2026, o neozelandês apelou para um entendimento entre todos os agentes da modalidade e vincou que a evolução da seleção portuguesa "vai depender dos clubes" e da sua disponibilidade para libertarem os seus melhores elementos.

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"Se tivéssemos acesso a esses jogadores, acho que já demonstrámos o que podemos fazer e onde podemos conduzir esta equipa. Se queremos falar da evolução do râguebi português, estas coisas têm de ser resolvidas", atirou Mannix.

Os Lusitanos XV são uma equipa de franquia da responsabilidade da Federação Portuguesa de Rugby que disputa, anualmente, uma competição europeia sob a chancela da Rugby Europe, a Super Cup, contra equipas profissionais de outras nações emergentes no râguebi.

Este ano, Mannix usou "58 jogadores" na campanha que levou a equipa à final, perdida para os espanhóis Castilla y León Iberians, que "têm 27 jogadores sob contrato" e com disponibilidade total.

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"Quando vou jogar a final da Super Cup e ando a telefonar para os clubes de França à procura de 'esperanças' que nem sequer conheço, que nunca vi jogar, e tenho um talonador nessas condições a jogar a final como titular, isso diz alguma coisa: diz que os clubes em Portugal nessa altura não me permitiram ter acesso aos melhores jogadores. E isso é um problema", desabafou Mannix.

Questionado pela Lusa sobre se, então, a profissionalização dos Lusitanos XV é o caminho a seguir pela FPR, o selecionador de Portugal, responsável também pela franquia, lembrou que são "o presidente [Carlos Amado da Silva] e o diretor de alto rendimento [Frederico Sousa] que têm de tomar essa decisão", mas foi claro nas suas ideias.

"O que eu sei é que [os treinadores de] todos os outros países que vão ao Mundial, exceto a Roménia, têm acesso total aos seus jogadores. Sei que o presidente e o diretor de alto rendimento estão a lutar muito para mudar esta situação e esperemos que o consigam, porque, sem dúvida, essa é a única forma de mantermos o ritmo das restantes nações", vincou o treinador.

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Nesse sentido, lamentou que, terminado o Rugby Europe Championship, os jogadores vão passar agora "10 semanas a competir pelos clubes" no campeonato nacional, em que o ritmo e intensidade "não têm o mesmo nível da competição internacional" e questionou esse planeamento que, garante, no final da época irá obrigá-lo a "recomeçar do zero".

"Esse é o meu problema. Tenho de voltar e começar tudo de novo fisicamente com os jogadores. Compreendo e respeito a pressão a que estão sujeitos pelos seus clubes, mas, ao mesmo tempo, quero olhar para a fotografia a longo prazo e pensar no que é melhor para o râguebi português", comentou.

É que, garante Mannix, o seu trabalho está "a preparar o râguebi português para o futuro e não apenas para um Mundial".

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"Se amanhã for mandado embora, sei que o râguebi português está numa situação muito melhor do que estava", assegurou.

Simon Mannix foi contratado pela FPR em abril de 2024 para assumir o comando da seleção portuguesa de râguebi e dos Lusitanos XV, menos de um ano após a histórica campanha de Portugal no Mundial de França2023, em que alcançou a sua primeira vitória de sempre, contra as Fiji.

Sucedeu a uma equipa de consultores da World Rugby, liderada pelo argentino Daniel Hourcade, que assumiu o comando após o vazio deixado pela inesperada saída de Sébastien Bertrank, cerca de um mês após suceder a Patrice Lagisquet, que tinha orientado os 'lobos' no Mundial.

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Soma 11 vitórias em 16 encontros ao comando da seleção portuguesa, as últimas sete de forma consecutiva, cinco das quais no Rugby Europe Championship 2026 que culminou com a conquista do título que escapava a Portugal desde 2004, após derrotar na final a Geórgia (19-17), que não perdia um encontro na competição desde 2017 e à qual Portugal não vencia desde 2005.

Por Lusa
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