O mesmo erro que a Espanha

Miguel Portela analisa descida de Portugal à 3.ª Divisão europeia de râguebi

• Foto: Vítor Chi

A descida de Portugal à 3.ª Divisão europeia deve-se, na minha opinião, à errada estratégia que se delineou logo após o apuramento para o Mundial de 2007. Estratégia errada, esta, que foi definida pelos mesmos responsáveis que, igualmente, tiveram o mérito e contribuíram de forma decisiva para o histórico apuramento para o Mundial. Incompreensivelmente, após o apuramento, que se baseou na gestão eficaz de tudo o que de bom existe no espírito amador, inverteu-se toda essa política, insistindo-se e investindo-se muito no sistema de jogadores profissionais e semiprofissionais.

Cometeu-se exatamente o mesmo erro que a Espanha havia cometido quando se apurou para o Mundial de 99. Com a agravante de esse erro ser reconhecido, antecipadamente, pelos obreiros do apuramento para 2007 e, inclusive, ser referido em muitos dos discursos que, na caminhada de 2007, foram sensatamente proferidos no balneário dos Lobos. O profissionalismo assente em território nacional jamais poderá levar a resultados positivos.

Esta descida de divisão é a prova disso. Há que acreditar que a base tem de vir de campeonatos incomparavelmente mais fortes que o nosso. Os luso-franceses, por um lado, e os jogadores desenvolvidos no nosso campeonato, por outro, mas que optem por uma experiência internacional, deviam ser a base da Seleção. Temos muitos e bons jovens que estão a jogar em Portugal com qualidade não muito inferior aos homólogos franceses, italianos ou britânicos. O que acontece é que, quando chegam aos 21 ou 22 anos, estagnam ou, pelo menos, não evoluem tanto quanto se deseja.

O próximo grande investimento da FPR deveria passar por criar um sistema que facilitasse a vinda dos nossos luso-franceses à Seleção e que criasse boas oportunidades aos nossos jovens jogadores para terem uma experiência no estrangeiro. Não é de fácil concretização, mas acredito que é possível. Tenho a certeza de que teríamos o apoio de toda a nossa comunidade emigrante e de jogadores como Julien Bardy ou David Penalva.

A comunidade emigrante pode ser uma boa base de acolhimento dos jogadores e um apoio de financiamento. Bardy e Penalva seriam excelentes pontes de comunicação entre a FPR, os clubes e os próprios jogadores. Em Portugal, manter-se-ia o trabalho feito pelos clubes, que considero bastante razoável e, aliás, é provado pelos resultados bastante satisfatórios das nossas seleções mais jovens. E, claro, é preciso que regresse a mentalidade de que uma defesa agressiva, eficaz e inteligente é mais importante que qualquer sistema de jogo ou qualquer outro tipo de qualidade técnica… Por Portugal!

Autor: Miguel Portela, antigo internacional de râguebi, foi campeão da Europa em 2004 e integrou a Seleção que esteve no Mundial de 2007

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