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Portugal na rota do Mundial feminino

Candidatura conjunta com França, para 2021, ganha adeptos dentro e fora de portas

• Foto: DR
Portugal pretende entrar na corrida à organização do Campeonato do Mundo feminino de 2021. A Federação solicitou mesmo à World Rugby o caderno de encargos da competição mas, segundo apurámos, a ideia não é avançar com uma candidatura a ‘título individual’ – o que seria incomportável, em função da logística e dos custos envolvidos –, mas antes apresentar uma candidatura conjunta com a França.

Os franceses já estavam na corrida à organização, mas viram o interesse de Portugal em unir esforços como um valioso trunfo para fazer face às candidaturas de Austrália (apontada como grande favorita) e da Nova Zelândia (apostada em fazer um forte investimento para ‘roubar’ o favoritismo aos aussies). Inglaterra e País de Gales também entram na corrida.

Prova do entusiasmo dos bleus é o facto de o presidente da federação francesa, Bernard Laporte, ter aproveitado a recente presença no Mundial de sevens, em São Francisco (EUA), para questionar pessoalmente a World Rugby sobre a viabilidade de uma inédita candidatura conjunta. Portugal e França aguardam, agora, uma resposta do organismo que tutela o râguebi mundial para avançar com o projeto, sendo que deverá chegar antes de 10 de agosto, prazo final para a entrega de todas as candidaturas que pretendem suceder à Irlanda, que organizou o evento no ano passado. A decisão final será anunciada a 14 de novembro.

Expansão

A ideia de uma união de esforços parece, aliás, estar a colher adeptos em todos os vetores. Para a World Rugby, seria uma hipótese de dar continuidade à expansão e divulgação da vertente feminina em mercados fora das tradicionais potências mundiais; para a França, uma ‘lufada de ar fresco’ numa candidatura que parecia, à partida, condenada se avançasse sozinha; para Portugal, uma oportunidade de ouro para voltar aos grandes palcos mundiais e colocar a Seleção feminina – é a 15ª do ranking – numa grande competição de 15 que envolve… 12 equipas!

Em caso de vitória da candidatura conjunta, Portugal deverá sediar um dos três grupos, decorrendo todo o resto do campeonato em França. Uma medida que está perfeitamente ao alcance da capacidade organizativa do país e da própria FPR, que tem recolhido, nos últimos anos, diversos elogios na organização de competições internacionais dos escalões de formação.

Sporting com papel decisivo

Segundo Record apurou, o trabalho que tem sido desenvolvido pelo departamento de râguebi do Sporting tem sido decisivo para viabilizar a hipótese de uma candidatura conjunta com os gauleses. Sendo que em Portugal, devido à escassez de atletas, não existe uma competição regular de râguebi feminino de 15, os leões não têm regateado esforços para não deixar morrer, entre as senhoras, a variante rainha do râguebi.

Foi, de resto, o Sporting que impulsionou, nos últimos dois anos, o nascimento da Taça Ibérica feminina, além de organizar jogos particulares com clubes franceses, promovendo a modalidade junto da comunidade emigrante e dando às leoas a oportunidade de competir, na variante de 15, contra algumas das melhores equipas da Europa, como o Stade Français e o Perpignan. Encontros que acabaram por ajudar a promover o râguebi feminino português em França e solidificaram laços que estão na base da eventual candidatura conjunta.

Contactado pelo nosso jornal, o responsável pela modalidade em Alvalade confirmou o interesse de Portugal em avançar, com a França, mas não se quis alongar sobre o envolvimento do clube. "Em nosso entender, trata-se de uma oportunidade histórica que não devíamos desperdiçar", limitou-se a dizer Rafael Lucas Pereira.
Por Sérgio Lopes
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