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Mundial: Análise à primeira ronda da prova

Uma única exceção entre tanta deceção

• Foto: Getty Images

A análise que se pode fazer no final dos 16 avos de final do Campeonato do Mundo de Snooker terá de começar pelas grandes deceções da prova. Logo no primeiro dia tivemos a queda do campeão em título, o inglês Stuart Bingham.

Não se pode dizer que este resultado tenha sido um verdadeiro choque por três razões distintas: primeiro porque a época de Bingham foi pouco mais do que pavorosa, depois porque Ali Carter era dos jogadores mais fortes entre os que vinham das qualificações e, por fim, porque a famosa "Maldição do Crucible" é algo que perturba qualquer campeão do mundo inédito nesta modalidade.

Bingham acabou por dar apenas o mote para um verdadeiro festival de surpresas. Os números não mentem: desde 2012 que não se viam tantos cabeças-de-série eliminados por jogadores que vinham das qualificações: oito há quatro anos, sete agora.

No dia seguinte ao afastamento do campeão, batido por um forte Ali Carter que procura desesperadamente nesta prova reentrar no top 16 depois do longo afastamento das mesas devido a doença prolongada, caiu com estrondo um outro candidato: Shaun Murphy.

O também inglês, vice-campeão em 2015 e já vencedor de um Masters e de um UK Championship, pecou por apostar em demasia num snooker ofensivo e sem grande critério na seleção de jogadas. Do outro lado, o jovem escocês Anthony McGill, que já havia brilhado no mundial do ano passado e que só foi derrotado pelo próprio Murphy nos quartos-de-final, serviu uma vingança muito fria. Forte nas trocas defensivas, não acusou pressão nos momentos-chave e impôs-se com justiça face ao favorito com um 10-8 final.

Por fim, e só para falar de grandes nomes que caíram com estrondo, falta referir aquele que muitos consideravam o mais forte adversário de Ronnie O'Sullivan: Neil Robertson. O "Thunder From Down Under", ou o "Trovão lá de Baixo" como também é conhecido – numa alusão à nacionalidade australiana – foi uma tempestade... num copo de água rasa. Falhou a toda a linha face a um Michael Holt inspirado e, contra todas as expectativas, viu goradas as ambições de repetir o título de 2010.

O'Sullivan, Trump e Selby alarmantes

Desenganem-se os que pensam que só de quedas de favoritos está a ser feito este mundial. Outros houve, como Ronnie O'Sullivan, Mark Selby ou Judd Trump que passaram mas... não ganharam para o susto.

Ronnie, no seu estilo temperamental, viu o jovem inglês David Gilbert equilibrar o jogo, e só uma ponta final à "rocket" evitou males maiores. De resto, o episódio da fuga à conferência de imprensa e dos gritos e murros no balneário após o jogo diz bem da forma como O'Sullivan avaliou a sua performance inicial.

Já o N.º 1 do ranking mundial, Mark Selby, teve um jogo de altos e baixos. Mal em ambas as primeiras partes das duas sessões, o homem de Leicester (que deseja repetir o título de 2014 e fazer a festa em 2016 juntamente com o seu clube de futebol que surpreendentemente lidera a Premier League) viu Robert Milkins chegar ao 7-6 (depois de 7-2 no arranque da 2ª parte do jogo) e, tal como O'Sullivan, teve de usar a sua mestria defensiva para passar aos oitavos de final.

Pior do que Ronnie e Selby só mesmo Judd Trump. É certo que o duelo ante o chinês Liang Wenbo se antevia difícil, mas uma primeira sessão catastrófica (3-6) quase deitou tudo a perder. Salvou-se uma segunda sessão onde o melhor de Trump apareceu (sobretudo o seu jogo longo), para vencer por apertados 10-8. Passou o susto, mas ficou o aviso.

John Higgins confirma candidatura

Com tantas derrotas inusitadas e vitórias arrancadas a ferros pelos candidatos, apenas um nome dos favoritos mostrou que está em Sheffield para tentar conquistar o troféu pela... quinta vez. Falamos do escocês John Higgins, que nesta primeira ronda passeou classe ante o galês Ryan Day (vitória por 10-3) e deixou um aviso à navegação: contem com ele para o título.

Os restantes destaques negativos vão para os outros cabeças-de-série eliminados. Stephen Maguire foi mais do mesmo, perdendo para o seu compatriota escocês, Alan McManus; o galês Michael White anunciou que atravessa uma profunda depressão e não teve argumentos face ao quase desconhecido Sam Baird; e Joe Perry, naquele que foi para muitos o melhor encontro da primeira ronda, perdeu na negra (10-9) face à jovem estrela inglesa em plena ascensão de nome Kyren Wilson.

Por fim, resta falar de Martin Gould. Era cabeça-de-série mas saiu-lhe a "fava" do sorteio ao ter pela frente um renovado Ding Junhui que, neste mundial, mais do que o título joga a sua carreira, desde que começou a cair no ranking em 2014. A derrota de Gould ante o chinês (8-10) não pode apagar o que de bom fez, sobretudo a limpeza de mesa do 9.º frame do encontro. Se os primeiros 60 pontos dessa entrada são normais, o que Gould fez nos restantes 51 entra diretamente para a história deste campeonato, tal a magnificência do snooker produzido.

Além de Higgins, os destaques positivos nesta fase vão para Marco Fu, Mark Allen e Barry Hawkins, os únicos a vencerem sem problemas de maior. Com menos acerto mas também em senda vitoriosa estiveram os veteranos Mark Williams e Alan McManus, sendo que Ricky Walden ainda suou bastante para deixar pelo caminho Robbie Williams.

Oitavos com confrontos de titãs

Para os oitavos de final, que já estão em curso, há encontros que merecem uma atenção redobrada dos amantes da modalidade. À cabeça a partida entre Judd Trump e Ding Junhui. Deste duelo pode muito bem sair um semi-finalista do Campeonato e... menos um nome na corrida ao troféu.

Além deste duelo anglo-chinês, destaque ainda para a reedição da final de 2013 entre Ronnie O'Sullivan e Barry Hawkins. Depois da primeira ronda, pode dizer-se que o Rocket tem de jogar muito melhor se quer continuar em prova, uma vez que Hawkins esteve muito bem na estreia.
Por Miguel Sancho
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