O Crucible, a maldição e a história

De Davis a Hendry, passando por O’Sullivan, todos caíram…

O último passageiro desta carruagem de terror foi Mark Selby
• Foto: EPA

A chegada do Campeonato do Mundo ao famoso Crucible Theatre de Sheffield marcou uma viragem no snooker. Em 1977 o snooker mudou e profissionalizou-se. Nessa data começou também uma maldição. Mark Selby foi o último a senti-la. Stuart Bingham pode ser o próximo.

Há um objetivo que até hoje nenhum jogador de snooker alcançou na chamada "era moderna" da modalidade: ser campeão do mundo inédito e repetir o feito no ano seguinte. Ao longo da história todos os grandes nomes foram alvo da "Maldição do Crucible". Comecemos pelos primeiros…

Anos 80 – Steve Davis humilhado

Em 1979 Terry Griffiths foi o primeiro a ser campeão mundial inédito no Crucible, uma vez que os anteriores vencedores já o haviam feito antes de 1977. Ainda assim, nenhum deles voltou a fazê-lo no primeiro ano que pisou o teatro. Estatisticamente foi então o galês Griffiths o primeiro a sentir a força da maldição. A derrota contra o então jovem Steve Davis, por 13-10 logo na segunda ronda, deixava antever o pior.

O canadiano Cliff Thorburn foi a vítima seguinte, mas só em 1982 se começou a falar da maldição de forma veemente. No arranque do mundial que se seguiu à brilhante vitória de 1981, o campeoníssimo inglês Steve Davis teve a mais humilhante derrota da sua carreira ao perder por 10-1 (!!!) logo na primeira ronda do torneio de 82, frente ao compatriota Tony Knowles.

Até final da década dois outros campeões inéditos – Dennis Tayllor (86) e Joe Johnson (87) – acabariam também por sucumbir à famosa "curse". Tayllor imitou Davis e foi eliminado com estrondo na primeira ronda de 1987 (10-6 para Mike Hallett), mas Joe Johnson continua a ser até hoje o que mais perto esteve de quebrar a maldição. Johnson tinha ganho contra todas as probabilidades a Steve Davis na final de 86, e logo por claros 18-12, e em 1987 surpreendeu de novo tudo e todos até chegar à final… contra Steve Davis. Porém, nessa noite o "nugget" esteve melhor que nunca, vingando a derrota do ano anterior, agora por 18-14.

Anos 90 – Até Stephen Hendry caiu

Há um jogador que detém quase todos os recordes do snooker: o escocês Stephen Hendry. Pois até o campeoníssimo "Golden Boy" não suportou a pressão da maldição do Crucible. Depois do título ganho em 1990, todos depositavam as fichas na jovem estrela escocesa para ser de novo campeão. Porém, em plenos quartos-de-final do torneio de 1991, o desconhecido Steve James espantou o mundo ao derrotar Hendry por 13-11.

Depois de John Parrott em 1992, foi preciso esperar até 1998 para um campeão inédito defender o título. Nesse ano o irlandês Ken Doherty procurava sagrar-se bicampeão do mundo depois da retumbante vitória de 1997, precisamente contra Stephen Hendry que, então penta campeão invicto, não perdia um jogo desde a derrota de 1991 frente a James!
Doherty, tal como Joe Johnson, deu luta contra o "mau-olhado". Lutou e chegou à final mas, nesse duelo, um brilhante jovem escocês de nome John Higgins acabou por ser um justíssimo vencedor, batendo o irlandês por 18-12 e mantendo assim viva a história.

Século 21 – O’Sullivan e muitos outros na lista

Ainda antes da viragem do século John Higgins não conseguiu ultrapassar o galês Mark Williams nas meias-finais de 1999 e, dois anos depois, o galês haveria de sentir na pele a mesma sensação, ao perder na "negra" da segunda ronda para Joe Swail (13-12).

A vítima seguinte seria um outro nome grande: Ronnie O’Sullivan. O "Rocket" tinha ganho um título há muito anunciado em 2001, e em 2002 apresentava-se como o grande candidato à vitória. Puro engano. Nas meias-finais, um super Hendry bateu o inglês por 17-12 e seguiu rumo a uma final perdida para Peter Ebdon. Seria a última final de Hendry no palco dos sonhos que foi seu durante mais de uma década.

Os ingleses Peter Ebdon (2003) e Shaun Murphy (2006) foram os senhores que se seguiram, ambos nos quartos-de-final. O escocês Graeme Dott, em 2007, e o australiano Neil Robertson, em 2010, fizeram muito pior: derrota na primeira ronda!

O último passageiro desta carruagem de terror foi Mark Selby. Em 2015 apostou que seria ele a quebrar a malapata e disse-o publicamente. Depois do susto da primeira ronda, onde por pouco perdia para o norueguês Kurt Maflin (vitória por 10-9), caiu com estrondo contra o jovem escocês Anthony McGill nos oitavos e saiu pela porta pequena, dando lugar à ascensão de Stuart Binhgam.

"No dia que se ganha um mundial pela primeira vez começam as perguntas sobre a maldição" diz Stuart Bingham. Como poucos sabe o peso da história e sente-se desconfortável com isso. Mas tem uma ambição. Ser ele o primeiro a quebrar a tenebrosa maldição.

Antes dele todos pensaram o mesmo. E falharam. A história segue dentro de momentos…

Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
Subscreva a newsletter

e receba as noticias em primeira mão

ver exemplo

Ultimas de Snooker

Notícias

Notícias Mais Vistas

Copyright © 2020. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Cofina Media S.A. Consulte a Política de Privacidade Cofina.