Anat Lelior, entre os Jogos Olímpicos e o serviço militar em Israel

Jovem surfista está a cumprir os dois anos obrigatórios nas forças armadas israelitas

Tem apenas 19 anos e, após várias temporadas de promissores resultados no Pro Júnior Europeu, Anat Lelior surpreendeu o mundo do surf no ano passado, após ter sido a melhor surfista "europeia" no Mundial ISA, tendo consequentemente conseguida uma vaga olímpica para Tóquio’2020.

A qualificação olímpica colocou-a na ribalta e surgiu na sequência do primeiro triunfo da carreira no WQS, que aconteceu na sempre concorrida prova francesa de Anglet. Agora, a surfista israelita prepara-se para atacar o WQS e uma eventual qualificação para o WWT, além de preparar da melhor forma a prestação olímpica.

No entanto, Lelior tem um entrave. E não estamos a falar da falta de um grande patrocinador. É que a jovem surfista está a cumprir serviço militar no exército israelita até 2021 e tem de conjugar isso com a vida de surfista profissional. Uma situação que se justifica com o facto de em Israel o serviço militar ser obrigatório a partir do momento em que os jovens terminam a escola.

Numa recente entrevista à publicação norte-americana "Surfer Magazine", a jovem surfista abordou esta peculiar situação. "Nem todas as tarefas non exército são de forças especiais que requerem que vás defender o teu país em qualquer ponto do mundo", começou por dizer Anat Lelior. "Há imensos cargos em que não tens de arriscar a vida, como administrativos, cozinheiros, tecnológicos, ect. Depois há os artistas e os desportistas, que é o meu caso, que podem servir o país enquanto desenvolvem a sua atividade profissional", explicou.

"Representar Israel no WQS e nos Jogos Olímpicos acaba por ser a minha missão. Sempre que regresso a casa reporto, como é meu dever. Estou desde abril a fazer serviço militar sendo uma atleta profissional. Não sei explicar bem, mas não é uma situação má. Tenho de fazer 30 horas semanais de serviço, mas devido à minha situação eles são flexíveis e deixam-me ir treinar sempre que possível", afirmou Lelior.

É assim que durante mais um ano a jovem talentosa surfista israelita vai viver e preparar as competições internacionais. Depois disso, vai tentar cumprir o sonho de ir à Indonésia, o campo de treinos ideal da grande maioria dos surfistas profissionais. Ondas perfeitas que Anat nunca surfou, por causa de ter passaporte israelita. É que à semelhança do que aconteceu entre Portugal e Indonésia nos anos 90, devido ao conflito com Timor-Leste, Israel e Indonésia têm atualmente relações cortadas, pelo que não é permitida a entrada de israelitas naquele país.

Por João Vasco Nunes
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