Campeão mundial de surf adaptado relata os dias difíceis na luta conta o novo coronavírus

Basco Aitor Francesena terá competido já infetado pelo Covid-19

Sagrou-se campeão mundial de surf adaptado pela segunda vez este ano em La Jolla, na Califórnia, quando o novo coronavírus ainda era uma realidade que se estava a apresentar ao Mundo. Aitor Francesena teve os primeiros sintomas em casa, depois de regressar a Espanha, mas é provável que tenha competido enquanto incubava o vírus. O surfista basco que é cego, garante que foi a pior experiência por que passou na vida.

"Quando regressei a Espanha tinha sintomas e fechei-me em casa. Comecei por ter febres altas. Durante vários dias não consegui dormir, delirava, tinha dores de cabeça, diarreia e falava para pessoas que estavam ao meu lado, quando na realidade estava sozinho. Após 12 dias veio a tosse. Liguei para o hospital e internaram-me. Acusei positivo ao novo coronavírus. Foi a experiência mais dura da minha vida. Nem todos têm os mesmos sintomas, mas para mim foi horrível", afirmou Francesena.

Apesar do anúncio de que os Estados Unidos iam fechar as fronteiras enquanto o campeonato do Mundo decorria, perante a real ameaça da chegada do vírus ao país, a seleção espanhola decidiu continuar a competir, ao contrário do que fez, por exemplo, a portuguesa. Uma decisão controversa por parte da ISA, mas que acabou por valer o ouro ao surfista basco e também à Espanha. Pela lógica dos sintomas, o bicampeão mundial de surf adaptado acredita que foi infetado ainda em Espanha, o que poderá ter colocado em risco todos os que com ele contactaram durante o evento.

"Penso que o apanhei no aeroporto de Madrid, quando partimos para os Estados Unidos. Estive a incubá-lo durante toda a semana do campeonato e não me apercebi. É difícil saber com precisão, mas acredito que foi isso que aconteceu porque houve outra pessoa da comitiva que passou exatamente pelo mesmo durante o mesmo prazo de dias", explicou Francesena a um programa de rádio no País Basco.

Foi internado numa clínica em Guipuzkoa e ao vigésimo dia começou a melhorar. O surfista agradece ao médico e a todas as enfermeiras pelo acompanhamento que teve. "Agora estou bem. Voltei a casa, embora não queira estar com ninguém. As minhas irmãs trazem-me comida e deixam à porta. Mas sinto-me ótimo e com muita vontade de voltar à normalidade", garantiu.    

Por João Vasco Nunes
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