Dois anos depois, Kelly Slater voltou a 'vestir' vermelho

O 11 vezes campeão mundial está de regresso à melhor forma aos 47 anos

Quando no passado dia 9 de julho arrancou a sexta etapa do circuito mundial de surf (WCT) em Jeffreys Bay, na África do Sul, os fãs da modalidade tiveram a oportunidade voltar a ver Kelly Slater numa condição especial, que há mais de dois anos não acontecia. Em virtude do arranque de temporada positivo, o veterano surfista, de 47 anos, foi um dos cabeças-de-série do evento sul-africano, ou seja, vestiu a licra vermelha na ronda inaugural.

Após dois anos em que falhou vários eventos devido a problemas físicos e lesões, permanecendo no Tour somente graças aos wildcards oferecidos pela WSL, em 2019 Slater parece ter encontrado novamente o foco e, até ao momento, entrou em todas as etapas já realizadas, conseguindo, inclusivamente, um 3.º lugar em Bali, na Indonésia. Algo que coloca o "rei" Kelly no 8.º posto do ranking mundial, à frente de surfistas como, por exemplo, o vice-campeão mundial em título, o australiano Julian Wilson (10.º), e a cerca de 12 mil pontos da liderança que pertence ao compatriota Kolohe Andino.

Em virtude de duas temporadas em que participou apenas em oito etapas – cinco em 2017 e três no ano passado – Slater iniciou a presente temporada no último posto do seeding entre o top 34 mundial e, por isso, vestiu de branco na ronda inaugural da primeira etapa, na Gold Coast australiana. Só na quarta etapa conseguiu "ascender" para as licras azuis. Mas por pouco tempo, pois os resultados regulares permitiram que fosse agora "promovido" para as licras vermelhas.

Foi em junho de 2017, há mais de dois anos, em Cloudbreak, nas Fiji, e antes da lesão nas costas que o tirou da água durante quase um ano, que Slater tinha competido pela última vez como top seeding na ronda inaugural de uma etapa do World Tour. Mesmo sem um resultado espetacular, J-Bay serviu para o 11 vezes campeão mundial confirmar que readquiriu regularidade e que continua num bom momento de forma.

Veterano surfista, de 47 anos, continua em grande
Slater terminou pelo terceiro evento consecutivo no 9.º posto, depois de ser eliminado nos oitavos-de-final pelo brasileiro e candidato ao título mundial Italo Ferreira, que só viria a ser travado na final do J-Bay Open por Gabriel Medina. Ainda assim, o veterano do Tour disputou a vitória até final e deixou boas indicações para as próximas etapas. Etapas, essas, que até lhe são favoráveis.

A próxima é já em agosto nos famosos e pesados tubos de Teahupoo, no Taiti, naquele que foi o último local onde venceu uma etapa do circuito mundial. Depois segue-se o Freshwater Pro, que se disputa na mediática piscina de ondas desenvolvida… pelo próprio. Com a temporada a meio e com tantos pontos ainda em disputa – cada etapa vale 10 mil para o vencedor -, Slater ainda é uma carta dentro do baralho.

Curiosamente, com a lesão grave do havaiano John John Florence, que liderava o ranking até J-Bay, mas que vai falhar o resto da temporada, Slater passa a ser o grande candidato a ocupar a segunda vaga dos Estados Unidos para os Jogos Olímpicos de Tóquio’2020. Kelly tem de recuperar 11 mil pontos para John John e gerir a vantagem sobre os restantes compatriotas, com Conner Coffin, a cerca de 4 mil pontos, a ser o mais próximo. Que melhor estreia olímpica poderia querer o surf do que contar com a presença do rei da modalidade em prova?

A carreira de Kelly Slater em números:

- Tem 1088 heats disputados no WCT, sendo que este ano já vai em 21, mais do que os que fez nas duas últimas épocas – 10 em 2018 e 17 em 2017. Isto com a época ainda a meio;

- Em J-Bay, na etapa que marcou o meio do circuito, entrou na 257.ª prova do WCT e fez o pleno de presenças em etapas em 2019, o que faz com que esta seja a época em que entra em mais provas desde 2016;

- Em 2019 celebra o 30.º aniversário da estreia no circuito mundial. Aconteceu em junho de 1989, como convidado da Aloe Up Cup, uma etapa do WCT que se disputou na "sua" Florida e onde conseguiu avançar um heat. No ano seguinte entrou a tempo inteiro no WCT e o resto é história!

- Em 28 temporadas ao mais alto nível – teve uma pausa sabática de três épocas, entre 1999 e 2001 -, Slater venceu 11 títulos mundiais e 55 etapas. Contudo, já vão quase 3 anos desde a última vitória, que aconteceu em Teahupoo, no Taiti, em agosto de 2016.

- Slater tem um registo peculiar no desporto mundial, ao ser o mais jovem e, simultaneamente, mais velho campeão mundial de surf. Conquistou o primeiro título em 1992, com 20 anos. O 11.º título chegou mais recentemente, em 2011, aos 39 anos.

- Para se ter noção do domínio de Slater num desporto em que bateu quatro gerações distintas de surfistas, o primeiro título surgiu numa altura em que muitos dos atuais rivais, como Filipe Toledo, Kolohe Andino, Italo Ferreira ou Gabriel Medina, ainda nem eram nascidos. Já John John Florence tinha um mês de vida…

- Em termos de prémios monetários no circuito, superou em 2018 a barreira dos 4 milhões de dólares.

Por João Vasco Nunes
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