Erin Brooks à espreita de tripleta histórica no surf mundial

Canadiana venceu em Teahupoo e Cloudbreak… e “só” falta Pipeline

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Erin Brooks
Erin Brooks • Foto: WSL/Miers
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Erin Brooks vive, por estes dias, o momento mais alto da carreira no circuito mundial de surf. Após um início de temporada muito atribulado, que a colocou em sérias dificuldades no ranking mundial, a jovem surfista canadiana, de somente 19 anos, conseguiu, finalmente e de forma vertiginosa, inverter o ciclo. Começou por vencer o Tahiti Pro, no final de agosto, e abriu setembro a triunfar no Fiji Pro. Vencer duas etapas consecutivas pode parecer um feito razoável. Mas fazê-lo em duas das mais respeitadas ondas do planeta é um feito que merece ainda mais respeito. E que é apelidado de “Diamond Double”, ou dobradinha de diamante, numa tradução literal para português.

O feito de Brooks é ainda maior porque repetiu o triunfo que já tinha conseguido em Fiji em 2024, quando competiu como wildcard, um ano antes de chegar à elite mundial feminina. Sendo que em 2025 Cloudbreak serviu de palco para a finalíssima pelos títulos mundiais, que este ano foi extinta, recebendo apenas os cinco melhores surfistas do ranking, pode-se considerar que a jovem canadiana venceu em Fiji de forma consecutiva. Algo que apenas a peruana Sofia Mulanovich (2004 e 2005) e a australiana Sally Fitzgibbons (2014 e 2015) conseguiram.

A juntar a isso, Erin Brooks alcançou o topo da lista das maiores vencedoras em Fiji, uma vez que nenhuma surfista na história do Tour conseguiu lá vencer por mais que duas ocasiões - a Brooks, Mulanovich e Fitzgibbons ainda se junta a australiana Melanie Redman-Carr, que venceu em 2002 e 2006.

Mas há mais! A surfista nascida no Texas, mas que aos 9 anos rumou com a família para o Havai, onde se fez surfista, optando depois pela nacionalidade canadiana, em virtude da ligação ao avô paterno, conseguiu algo único na história recente do circuito mundial feminino: vencer as duas etapas do Pacífico na mesma temporada. Antes disso, apenas a havaiana Keala Kennelly (2003), a peruana Sofia Mulanovich (2004) e a australiana Melanie Redman-Carr (2006) o tinham feito. Há mais de 20 anos…

Tripleta no horizonte

A história recente do surf mundial transformou as etapas do Pacífico, também apelidadas de perna do Pacífico, como as mais apetecíveis para o público e mais temidas para os surfistas. Pesados e perfeitos tubos que quebram em bancadas de coral oferecem uma beleza única à competição, mas também uma dificuldade acrescida para os competidores da elite mundial. As quedas nestas ondas podem ser mortais. E as lesões reais.

Com o avançar dos anos muitos foram os surfistas que optaram por enfrentar estas ondas de capacete, por uma questão de segurança. E isso diz muito sobre o drama e a espetacularidade associadas a estas etapas, que só tem equivalente nos tubos de Pipeline, no Havai, onde o Tour vai novamente encerrar a temporada este ano, após uma mão cheia de anos em que a tradição havaiana não foi cumprida.

Aliás, o perigo inerente à onda de Pipeline, que já reclamou várias vidas ao longo dos anos, fez com que durante muito tempo esta fosse uma etapa exclusiva do circuito masculino. Mas tudo mudou em 2022, quando Pipe fez a estreia no World Tour feminino. Algo que, por exemplo, impediu que Kennelly, Mulanovich e Redman-Carr pudessem sequer tentar vencer a tripleta histórica das etapas tubulares e mais famosas do circuito.

No entanto, Erin Brooks poderá tentar assegurar tamanho feito em 2026. Até porque é uma das maiores especialistas de tubos no Tour e com um histórico interessante na onda de Pipeline. Na única vez que competiu em Pipeline no Tour, no ano passado, terminou num singelo 9.º posto. Mas Brooks já tem no currículo um 2.º lugar na temida onda havaiana, quando esta fez parte do circuito Challenger Series, já no início deste ano, sendo apenas batida na final pela havaiana Gabriela Bryan, atual vice-líder do ranking mundial.

O Pipe Masters vai ser a 12.ª e última etapa do ano, onde vão ser coroados os campeões mundiais. Dificilmente Erin Brooks vai estar na luta pelo título, porque, mesmo após dois triunfos consecutivos, apenas está no 8.º posto do ranking, fruto desse arranque de temporada muito conturbado e recheado de más exibições e resultados. No entanto, Brooks vai apresentar-se no Havai com o intuito de fazer aquilo que ainda não foi feito.

A história mostra que nem do lado masculino houve quem ousasse vencer estas três provas num só ano, mesmo que as mesmas tenham coexistido no calendário bem mais vezes que do lado feminino. O eterno Kelly Slater conseguiu vencer em Cloudbreak e Teahupoo em 2005, mas falhou o triunfo em Pipeline, onde perdeu nas meias-finais.

Mas houve quem já tivesse estado ainda mais perto: Gabriel Medina. Em 2014, no ano do primeiro título mundial de Medina e de um surfista brasileiro. Depois de dominar em Fiji e surpreender no Taiti, naquele que foi considerado, unanimemente, o maior evento da história do surf mundial, Gabriel chegou ao Havai na disputa do título. Conquistou-o e também poderia ter vencido a final em Pipeline, que lhe fugiu por muito pouco. O brasileiro até conseguiu uma nota 10 e teve um total de 19,20 pontos, mas viu o australiano Julian Wilson vencer na última onda, tendo um total de 19,63 pontos.

Uma final surreal, que não tirou o título mundial a Gabriel Medina, mas que lhe roubou a possibilidade de fazer algo único na história do surf mundial. Tem, agora, a palavra Erin Brooks. De 8 a 20 de dezembro, em Pipeline, a jovem canadiana vai lutar, não só contra a temida bancada havaiana, mas também por se tornar na primeira surfista da história a completar com sucesso a Tríplice Coroa. Ou o mesmo que dizer o “Santo Graal” dos tubos pesados do circuito mundial.

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